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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Opinião sobre "As Flores Perdidas de Alice Hart" - Holly Ringland

As Flores Perdidas de Alice Hart
(Artigo de Opinião)


Autora: Holly Ringland
Título Original: The Lost Flowers of Alice Hart (2018)
ISBN: 978-972-0-03062-7
Nº de páginas: 400
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Um romance sobre as histórias que deixamos por contar e sobre as que contamos a nós próprios para sobrevivermos.

    Alice tem nove anos e vive num local isolado, idílico, entre o mar e os canaviais, onde as flores encantadas da mãe e as suas mensagens secretas a protegem dos monstros que vivem dentro do pai.


    Quando uma enorme tragédia muda a sua vida irrevogavelmente, Alice vai viver com a avó numa quinta de cultivo de flores que é também um refúgio para mulheres sozinhas ou destroçadas pela vida. Ali, Alice passa a usar a linguagem das flores para dizer o que é demasiado difícil transmitir por palavras.


   À medida que o tempo passa, os terríveis segredos da família, uma traição avassaladora e um homem que afinal não é quem parecia ser, fazem Alice perceber que algumas histórias são demasiado complexas para serem contadas através das flores. E para conquistar a liberdade que tanto deseja, Alice terá de encontrar coragem para ser a verdadeira e única dona da história mais poderosa de todas: a sua.


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

     Quero começar já por dizer que, apesar de este ano estar a ser muito rico em termos de leituras (quer em quantidade, quer em qualidade), "As Flores Perdidas de Alice Hart" conquistou um lugar muito especial no meu coração.

     Alice Hart é uma menina de nove anos com uma curiosidade imensa pelo mundo, que adora dar longos passeios junto ao mar e perder-se nas páginas de um bom livro. Ansiosa pela chegada do seu irmãozinho, Alice tenta proteger-se a si própria e à mãe das tempestades incontroláveis que por vezes habitam dentro do seu pai.

     Quando uma terrível tragédia se abate sobre a família, Alice vê-se obrigada a ir viver com a avó paterna - uma desconhecida -, em Thornfield, uma quinta de cultivo de flores, onde vivem também outras mulheres que precisam de um local onde se sentir seguras. E é aí, nessa casa tão marcada pelas histórias das suas antepassadas, que a menina aprende a linguagem das flores, uma forma menos dolorosa de se comunicar.

      Alice vai crescendo e aprendendo que as flores podem ser um bálsamo para as suas feridas, até que uma nova traição vem abalar a sua estabilidade e fá-la partir em busca de si própria. Que segredos esconde o seu passado? Alcançará a liberdade que tanto deseja?

    Alice foi uma personagem que me cativou. Inicialmente, a maturidade pouco habitual numa criança da sua idade e o seu jeito peculiar de ver o mundo, aliados aos traumas de maus tratos, fizeram-me criar logo um laço empático com a menina. E depois, acompanhar o seu crescimento e o seu processo de autodescoberta, e ver o modo como as marcas que ficam de um passado doloroso acabam por condicionar o seu discernimento, fez-me gostar cada vez mais de Alice. Apreciei especialmente o facto de a autora não ter romantizado excessivamente a personagem, criando-lhe também uma faceta mais intempestiva e inconstante - em suma, bastante humana.

   Adorei conhecer não só a história de Alice, mas também a das suas antepassadas, a de algumas mulheres que procuraram refúgio em Thornfield e ainda algumas histórias aborígenes. Além disso, gostei muito de conhecer a linguagem das flores e de ver como a vida de Alice podia ser contada através delas.

     A única crítica que tenho a fazer a este livro é mesmo o facto de que gostava que o final tivesse sido mais desenvolvido. Gostava que a autora tivesse fechado a história de Alice com mais certezas e com mais detalhe, mas ainda assim fiquei satisfeita com o rumo dos acontecimentos.

    Este é um livro predominantemente melancólico e que aborda temas sérios e delicados, mas Holly Ringland trata-os com uma sensibilidade tal que acaba por transformar o triste em belo. E tudo neste livro é bonito e especial. Achei muito bem retratados o modo como funcionam os relacionamentos abusivos, bem como a fragilidade emocional e o amor cego que levam a um estado de dependência do outro, e que agravam ainda mais a situação - e faz-nos pensar em como tudo isto acaba por ser cíclico.

     "As Flores Perdidas de Alice Hart" foi, acima de tudo, uma leitura que me apaixonou. Escrito com uma sensibilidade extrema e de uma beleza pouco comum - até mesmo em termos físicos, uma edição fantástica -, mas que ainda assim nos deixa de coração apertado, este é um livro que emociona e que nos faz viajar pelas maravilhosas paisagens australianas, à medida que acompanhamos Alice na procura do seu lugar no mundo. Numa palavra: adorei!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Sierra Burgess is a Loser (Shannon Purser)_Sunflower

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Opinião sobre "Três Coroas Negras" (Três Coroas Negras #1) - Kendare Blake

Três Coroas Negras
(Três Coroas Negras #1)
(Artigo de Opinião)


Autora: Kendare Blake
Título Original: Three Dark Crowns (2016)
ISBN: 978-972-0-03036-8
Nº de páginas: 328
Editora: Porto Editora

Sinopse


    A CADA GERAÇÃO, NA OBSCURA ILHA DE FENNBIRN, NASCEM TRÊS IRMÃS GÉMEAS.


   Três rainhas herdeiras de um só trono, cada uma possuindo um poder mágico muito cobiçado. Mirabella é capaz de inflamar o incêndio mais violento ou a tempestade mais terrível. Katharine consegue ingerir um veneno mortal sem sentir os seus efeitos. De Arsinoe diz-se capaz de fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz.

   Mas para uma delas ser coroada rainha, não basta ter a linhagem certa. As trigémeas terão de conquistar o seu direito à coroa, lutando por ele… até à morte.

  Na noite em que as irmãs completam 16 anos, a batalha começa. E a rainha que sobreviver, conquistará a coroa!

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

     Apesar de ter partido para a leitura já com altas expectativas - não só pelas intrigantes  promessas da sinopse, mas também pelas fantásticas opiniões que o livro tem recebido -, a verdade é que ainda assim não estava à espera de gostar tanto como gostei. Que livro espetacular!

    Na mágica ilha de Fennbirn, todas as gerações nascem três dotadas irmãs gémeas, fadadas a crescerem separadas até completarem 16 anos, altura em que terão de competir pelo trono e pela vida, sendo que, no final, só uma será coroada.

      Katherine é uma envenenadora e cresceu com a família Arron, habituada a ver testados em si os mais variados tipos de venenos, numa tentativa de a imunizar e de lhe despertar o dom que tarda em chegar. Arsinoe, naturalista, amadureceu com os Milone, aguardando o florescer da sua comunhão com a natureza e a chegada do seu Familiar, um animal com o qual sentirá uma profunda conexão. Só Mirabella, criada pelos Westood e protegida do templo de sacerdotisas, manifestou desde cedo o seu poder de elemental no controlo exímio dos elementos, mas nem por isso a tarefa de eliminar as irmãs se torna mais fácil.

     Quando o Festival Beltane chegar, as três irmãs terão de lutar pelo seu direito à coroa até à morte... e apenas a que sobreviver será a legítima rainha de Fennbirn. Qual delas terá o que é preciso para vencer?

    Este é um livro cujo início pode ser considerado um pouco lento, uma vez que corresponde à apresentação do mundo e das personagens, mas que não achei nada cansativo, muito pelo contrário: dá tempo ao leitor para se familiarizar com o universo criado pela autora. Com o avançar da história, os capítulos vão ficando mais curtos e a leitura torna-se cada vez mais rápida e compulsiva. A escrita de Kendare combina na perfeição com o ritmo exigido pela narrativa - oferece ao leitor a dose certa de pormenores para que este consiga imaginar vividamente as cenas descritas, mas sem perder a fluidez que embala a leitura.

    O original mundo que a autora nos apresenta é complexo e está muito bem construído. Gostei muito da sociedade e das suas regras, crenças, tradições e costumes, e agradou-me o facto de o papel de destaque ser  dado às mulheres, que são o sexo forte na ilha de Fennbirn. Além disso, talvez por não ser algo muito comum num livro do género fantástico - e ainda que não seja esse o ponto fulcral da história -, achei interessante que o sistema governamental não fosse isento de pressões políticas, havendo sempre alguém capaz de tudo para satisfazer e garantir os seus interesses.

    Outro ponto de que gostei muito foi de "espreitar" pormenores das histórias de rainhas antigas. Espero que nos próximos volumes nos seja mostrado mais sobre o passado destas regentes e sobre o que há para além dos limites da ilha, no continente.

    Dada a natureza da história e o facto de apenas uma das rainhas poder sobreviver, estava à espera que a autora encaminhasse a narrativa de modo a que nos sentíssemos claramente inclinados para uma favorita desde o início. Mas a verdade é que, ao narrar a história na terceira pessoa e ao oferecer as perspetivas das três jovens, Kendare Blake arquitetou a trama de forma a que o leitor se afeiçoe por todas elas, tornando-se complicado eleger uma favorita à vitória - pois todas têm personalidades fortes e distintas, cheias de qualidades e defeitos bem explorados. Além disso, a história não se foca apenas nas protagonistas, mas também nas pessoas que interagem com elas no dia a dia, e que, para além de assumirem também elas um papel importante, acabam por nos demonstrar um outro lado das rainhas.

   "Três Coroas Negras" é um livro com uma premissa cativante, um enredo extremamente interessante e personagens muito bem construídas. Carregado de intrigas inesperadas e de reviravoltas surpreendentes, é uma excelente leitura do início ao fim! Só me resta aguardar ansiosamente que a Porto Editora publique rapidamente os próximos volumes, porque, depois deste final, a espera vai ser dolorosa! Adorei, adorei, adorei!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Imagine Dragons_Natural

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião sobre "Os Altos e Baixos do Meu Coração" - Becky Albertalli

Os Altos e Baixos do Meu Coração
(Artigo de Opinião)


Autora: Becky Albertalli
Título Original: The Upside of Unrequited (2017)
ISBN: 978-972-0-03034-4
Nº de páginas: 288
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.

   Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.

    Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?

    Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

     Apesar de ter gostado do primeiro livro que li de Becky Albertalli, "Simon Contra O Mundo", a verdade é que o achei, por vezes, um pouco infantil. Por isso, foi num misto de receio e curiosidade que parti para a leitura de "Os Altos e Baixos do Meu Coração" - e tenho desde já a dizer que gostei muito!

    Aos 17 anos, Molly Peskin-Suso anseia por descobrir o amor. Com uma fraca autoestima, em parte devido à sua aparência - e mais precisamente ao excesso de peso -, já se apaixonou 26 vezes, mas optou sempre por se resguardar, mantendo em segredo os seus sentimentos, por medo de ser rejeitada. 

    Além disso, Cassie, a sua irmã gémea, é exatamente o seu oposto - loura, magra, alta e confiante, é uma rapariga decidida e bem resolvida. Quando Cassie se apaixona por Mina, o círculo de amigos de Molly aumenta e ela conhece Will, um rapaz bonito e divertido que se mostra aparentemente interessado. No entanto, Reid, o seu nerd colega de trabalho, começa também a ocupar um espacinho no seu coração... Poderá algum deles vir a ser a paixão número 27, ou, quiçá, até algo mais? Ou continuará Molly a proteger-se, com receio de sair magoada?

    Molly é uma personagem que conquista. A sua insegurança e fragilidade emocional no campo amoroso, aliadas à doçura de uma adolescente que ainda está a tentar compreender o seu lugar no mundo, fizeram-me apaixonar por Molly. É muito fácil identificarmo-nos com os seus medos e com os seus pensamentos, o que faz com que torçamos para que o seus desejos se realizem.

    Gostei muito da família de Molly e do clima de compreensão, aceitação, suporte e respeito uns pelos outros. Também me agradou ver a evolução da relação dela com a irmã, Cassie, depois desta última arranjar uma namorada - o sentimento de perda, de ter de partilhar uma pessoa que sempre foi tão nossa, de ficar para trás - e o caminho de aprendizagem das duas até conseguirem adaptar a sua relação à entrada de novos elementos.

      A escrita de Becky Albertalli combina na perfeição com a história: bonita e fácil de ler, pontuada por momentos divertidos e por reflexões com que nos identificamos. Além disso, gostei bastante da diversidade de personagens que a autora criou, levando, de uma forma suave, à desmistificação de preconceitos.

      O que tenho a apontar como aspeto menos positivo deste livro são aqueles clichês a que, em geral, os YA não conseguem fugir - a inevitável previsibilidade e a facilidade romantizada em ultrapassar os obstáculos - e que podem retirar alguma naturalidade à história. Mas a verdade é que o encanto de acompanhar a protagonista neste caminho de autoaceitação e descoberta é tal, que arrisco dizer que estranharia mais a ausência destas características próprias do género do que a sua presença.

    "Os Altos e Baixos do Meu Coração" é um livro fofo e amoroso, que nos envolve numa teia de compreensão, emoções, aceitação, descoberta, diversidade e de todos esses elementos tão próprios de uma época tão complexa como a adolescência. Uma leitura que teve quase um efeito de catarse, passa ainda uma mensagem importante de aceitação e respeito por nós mesmos e pelos outros, porque todos merecemos esse bem tão valioso e aparentemente tão frágil que é o amor. Recomendo!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Sierra Burgess is a Loser (Shannon Purser)_Sunflower

domingo, 15 de abril de 2018

Opinião sobre "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" - Jojo Moyes

Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade
(Artigo de Opinião)


Autora: Jojo Moyes
Título Original: One Plus One (2014)
Tradução: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro
ISBN: 978-972-0-03002-3
Nº de páginas: 424
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Uma mãe por conta própria

    Jess Thomas faz o seu melhor, dia após dia. É difícil lutar sozinha.

   E, por vezes, assume riscos que não devia. Apenas porque tem de ser…



    Uma família caótica
    Tanzie, a filha de Jess, é uma criança dotada e brilhante a lidar com números, mas sem apoio nunca terá oportunidade de se revelar.
  Nicky, enteado de Jess, é um adolescente reservado, que não consegue sozinho fazer frente às perseguições de que é alvo na escola.
    Por vezes, Jess sente que os filhos se estão a afundar…

    Um desconhecido atraente
  Ed Nicholls entra nas suas vidas. Ele é um homem com um passado complicado que foge desesperado de um futuro incerto. Ed sabe o que é a solidão. E quer ajudá-los…

    Uma história de amor inesperada
   Um mais um - A fórmula da felicidade é um romance cativante e original sobre duas pessoas que se encontram em circunstâncias difíceis.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

      Já há algum tempo que queria ler alguma coisa de Jojo Moyes - principalmente depois de todo o sucesso de "Viver Depois de Ti" -, e "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" acabou por ser a minha estreia com a autora. E que bela estreia!

    Ed Nicholls é um homem bem sucedido e com uma carreira aparentemente estável que, de um momento para o outro, vê a sua vida dar uma volta de 180 graus. Sob o escrutínio de uma investigação policial por uso indevido de informação privilegiada, vê-se obrigado a ausentar-se da cidade por uns tempos, e é quando vai para a sua casa de férias que conhece Tess, umas das empregadas encarregues da limpeza.

    Desde que o marido abandonou a família, Jess Thomas faz os possíveis para cuidar da filha, Tanzie, e do enteado, Nicky, e por manter as contas minimamente em ordem. Apesar dos vários empregos que acumula, o dinheiro ao final do mês nunca é tanto como o desejado, e não é de certeza suficiente para inscrever Tanzie numa escola para crianças sobredotadas que lhe permitiria desenvolver a sua paixão pela matemática.

    Mas quando surge a oportunidade de Tanzie participar numas Olimpíadas de Matemática cujo prémio é avultado, Tess vê nela a oportunidade de realizar o sonho da filha. Só há um problema: a competição é na Escócia e ela não tem dinheiro para a deslocação. E é algures aí que Ed Nicholls entra na vida desta família e tenta ajudar... e juntos embarcam numa emocionante viagem, cheia de peripécias, imprevistos e confusões, para no fim aprenderem que, por vezes, o mais importante é o caminho e não o destino.

     Antes de mais, tenho de dizer que adorei este livro! Adorei, adorei, adorei! Adorei a história, adorei as personagens e adorei a forma como a autora pegou num enredo aparentemente simples e vulgar e o transformou em algo tão belo e singular.

      Jess é uma mulher corajosa, determinada e lutadora, que faz tudo ao seu alcance para cuidar da sua prole - Nicky, Tanzie e Norman, o engraçado cão da família. Apesar dos constantes abanões que a vida lhe tem dado, conserva a sua postura otimista de encarar o mundo e não baixa os braços perante os obstáculos.

     Tanzie é uma criança especial. Extremamente inteligente e com um amor profuso pelos números, é também uma menina muito carinhosa e divertida. Gostei da sua genuinidade e da sua inocência, aliadas à bondade e ao otimismo ingénuo próprios da infância. Ri-me bastante com alguns dos momentos que ela e Norman protagonizaram durante a viagem!

    Nicky é um adolescente inadaptado que não se encaixa no que a sociedade espera dele. Tímido, reservado e inseguro, prefere o isolamento do seu quarto ao ter de enfrentar o bullying exercido pelos colegas, que não aceitam a sua forma de ser.  Gostei de acompanhar os progressos de Nicky no que toca ao processo de aceitação da sua própria personalidade.

     Ed é um homem honesto que se envolve inconscientemente numa grande confusão no trabalho e que fica um bocado à deriva no meio da situação. Rapidamente percebemos que é um homem inteligente e com bom coração, mas ligeiramente impulsivo, o que por vezes o deixa em maus lençóis. Adorei ver o carinho e a preocupação crescentes de Ed com os filhos de Jess, bem como a forma como foi aprendendo a lidar com os problemas e a aceitar o futuro.

      Claro que o romance entre Ed e Jess não é propriamente imprevísivel - muito pelo contrário. Ainda assim, desenvolve-se de forma tão natural - e, simultaneamente, tão atribulada - que se encaixa na perfeição.

     "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" é um livro extremamente doce, divertido e refrescante, e é também uma mensagem de esperança e otimismo. A escrita de Jojo Moyes é muito fluída e a história está recheada de momentos engraçados e de pequenas lições sobre a forma mais feliz de encarar a vida. Adorei e recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Vance Joy_We're Going Home

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Opinião sobre "A Amiga" - Dorothy Koomson

A Amiga
(Artigo de Opinião)


Autora: Dorothy Koomson
Título Original: The Friend (2017)
Tradução: Irene Ramalho
ISBN: 978-972-0-04025-1
Nº de páginas: 496
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados. 

    Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus. 

   No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime. 

    Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera

Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

      Este ano está a ser espetacular no que toca a conhecer novos autores, e Dorothy Koomson só veio confirmar isso mesmo. Apesar de "A Filha da Minha Melhor Amiga" ser, provavelmente, o seu livro mais conhecido, foi com "A Amiga" que me estreei nesta autora, e tenho a dizer que esta foi uma leitura maravilhosa!

    Devido à promoção do marido, e numa tentativa de salvar o seu casamento, Cece Solarin deixa o seu emprego e a sua vida em Londres para se mudar para a pequena cidade de Brighton, onde a espera a ocupação como dona de casa. Algo assustada perante a perspetiva de se encontrar numa localidade em que não conhece ninguém, Cece tem ainda outro problema com que se preocupar: há apenas uns meses atrás, foi encontrada uma mulher - Yvonne, a responsável pela Associação de Pais da Preparatória de Plummer - brutalmente agredida na escola para onde agora iria mandar os seus dois gémeos.

     E é exatamente quando vai levar os seus filhos mais novos, Oscar e Ore, às aulas, que Cece conhece três mães que acabariam por se tornar suas amigas - Maxie, Anaya e Hazel. As mesmas três mulheres que, em tempos, tinham sido as melhores amigas de Yvonne, e que podem, de alguma forma, estar relacionadas com o ataque desta. 

     Cece ver-se-á não só no meio de todo este mistério, como terá ainda a missão de descobrir qual destas mulheres poderá ser a responsável pela agressão a Yvonne. Poderá Cece confiar nestas mulheres que lhe estenderam a mão numa altura em que se sentia tão sozinha? Por que razão é que as versões dos acontecimentos delas não batem certo? Até onde será preciso ir para se guardar um segredo?

      Adorei a forma como a autora optou por narrar a história, não só por termos a narração alternada entre as diversas personagens - Cece, Anaya, Hazel e Maxie -, como por também conter vários flashbacks que nos mostram alguns episódios importantes do passado das mesmas que nos permitem compreender melhor algumas atitudes e situações. Além disso, a escrita da autora é extremamente agradável e o ritmo vai acelerando à medida que vamos penetrando nas teias de mentiras e segredos das personagens.

   Achei interessante a variedade de etnias e culturas representadas, bem como a diversidade dos problemas das personagens. Penso que a autora se terá preocupado em conferir uma dimensão real às personagens, não só nas pequenas questões do quotidiano, como também nos segredos que carregam. Talvez por todas as personagens serem tão diferentes, mas tão especiais à sua maneira e tão bem caracterizadas, não é fácil escolher uma que me tivesse agradado mais. No entanto, não posso deixar de demonstrar a minha simpatia por Cece, por ser uma mulher destemida, com uma personalidade forte e fiel aos seus princípios, e por Anaya, cujos capítulos me despertavam sempre o interesse.

    O enredo de "A Amiga" está muito bem construído, pois ficamos sempre em suspenso, tentando adivinhar o que escondem as diversas personagens. De facto, neste livro temos intrigas múltiplas, havendo a questão central - quem agrediu Yvonne -, e várias linhas paralelas - os segredos de cada personagem. Como se todo este mistério não fosse suficiente para cativar o leitor, este é ainda um livro bastante completo em termos de géneros literários: tem romance, muito suspense e até uns laivos de policial e thriller.

    "A Amiga" foi uma fantástica estreia com Dorothy Koomson: um livro que me cativou desde o início e que manteve a qualidade ao longo de toda a leitura até ao surpreendente final. Um livro muito bem escrito, com personagens muito realistas que, conjugadas com a alternância de perspetivas, conferem ao livro um carácter mais diversificado e dimensional. Uma excelente leitura que recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Taylor Swift_Look What You Made Me Do

terça-feira, 11 de julho de 2017

Opinião sobre "A Química dos Nossos Corações" - Krystal Sutherland

A Química dos Nossos Corações
(Artigo de Opinião)


Autora: Krystal Sutherland
Título Original: Our Chemical Hearts (2016)
Tradução: Paulo M. Morais
ISBN: 978-972-0-04860-8
Nº de páginas: 280
Editora: Porto Editora


Sinopse

      Henry Page não esperava apaixonar-se. Considera-se um romântico, mas nunca viveu aquele momento em que o tempo para, a barriga se enche de borboletas e a música começa a tocar, sabe-se lá onde. Pelo menos, até ao momento.

     Então, conhece Grace Town, a esquiva nova colega de escola, que se veste com roupa de rapaz demasiado grande, apoia-se numa bengala, parece tomar banho poucas vezes e esconde segredos desconcertantes. Não é bem a rapariga de sonho que Henry esperava, mas quando os dois são escolhidos para coordenar o jornal da escola, a química acontece. Depois de tantos anos a salvo do amor, Henry está prestes a descobrir como a vida pode seguir um caminho tortuoso e como, por vezes, os desvios são a parte mais interessante desse mesmo caminho.

     Uma estreia brilhante que equilibra humor e corações partidos, lembrando-nos de como o primeiro amor pode ser agridoce.


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

        Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.


     Sendo o género YA (Young-Adult) um dos meus preferidos, foi com grande curiosidade que iniciei a leitura de "A Química dos Nossos Corações" e conheci o Henry e a Grace. Este é um livro com uma história bela e com uma capa linda, e que deixa a mensagem de que, embora o primeiro amor nem sempre corra como desejamos, há sempre a esperança de um futuro melhor.

      Henry Page tem dezassete anos, está no último ano do secundário e almeja alcançar o cargo de editor-chefe do jornal da escola. Quando vê finalmente o seu desejo prestes a ser realizado, é-lhe comunicado que terá de partilhar a responsabilidade com Grace Town, a nova e misteriosa colega de escola que usa roupas de rapaz demasiado grandes, coxeia apoiada numa bengala e tem segredos que a assombram e que não está disposta a partilhar.

     Desde logo, Henry sente-se curioso face a esta rapariga estranha e inteligente, que oculta a beleza debaixo de um ar desleixado. Lentamente, vai conquistando um pouco da confiança de Grace... mas vai-se também apaixonando por ela. Porém, será um novo amor capaz de consertar um coração partido? Conseguirá Henry um amor saudável com Grace? Ou será que, por vezes, o melhor a fazer é deixar livres as pessoas que amamos?

    Gostei principalmente que este fosse um daqueles livros capazes de despertar emoções no leitor. A escrita de Krystal Sutherland é envolvente, e a forma como os acontecimentos se desenrolam, gradualmente, à medida que o leitor vai conhecendo as personagens, tornam esta história especial. Alguns dos temas tratados são sérios, mas a autora aborda-os de uma forma suave e apelativa, tornando-os mais leves sem lhes retirar importância.

     Outro ponto positivo, e que marca pela diferença, é o facto de este livro ser narrado da perspetiva de protagonista masculino. O Henry foi uma personagem que me cativou completamente. É um rapaz amoroso e inteligente, e achei bastante interessante acompanhar o desenvolvimento da sua primeira grande paixão, e as mudanças na sua personalidade e na sua maneira de ver as coisas. Sendo Henry um rapaz introspetivo, uma das coisas de que mais gostei neste livro foram, sem dúvida, as suas reflexões - nomeadamente as que versavam sobre o universo.

    Já Grace é uma personagem que provoca sentimentos contraditórios. Num primeiro contacto, senti sobretudo curiosidade relativamente às suas roupas, às suas atitudes e a toda a aura misteriosa que a circunda. À medida que a fui conhecendo melhor, ao perceber o que motivava os seus comportamentos, comecei a nutrir uma certa empatia e compaixão para com ela. No entanto, chegou um certo ponto em que a personagem me começou a desiludir devido aos seus atos algo egoístas que, embora nascessem da dor, não tinham qualquer preocupação com os danos emocionais causados.

     Para além dos dramas amorosos do protagonista, temos também várias cenas com os amigos e com a família deste. Confesso que adorei as intervenções de todas estas personagens, principalmente as dos pais de Henry, que me fizeram rir várias vezes. É engraçado ver também o papel dos amigos - e, em especial de Lola - no evoluir desta trama, e constatar a importância da amizade nos momentos mais complicados.

     Claro que este livro também tem a sua quota parte de previsibilidade, como quase todos os do género. No entanto, ainda assim senti que era uma história fresca, tocante e maravilhosa, com personagens interessantes. O final surpreendeu-me e chocou-me um pouco, embora já suspeitasse de algo assim. De facto, ao longo do livro assistimos aos desabrochar do protagonista, e no desenlace encontramos um Henry bastante mais maduro do que quando o conhecemos, e talvez por isso me tenha agradado tanto o desfecho pelo qual a autora optou.

    "A Química dos Nossos Corações" é um livro com um protagonista fofo e interessante, personagens bem construídas e com personalidades próprias, e uma história comovente e divertida sobre o impacto de um primeiro amor agridoce na vida de um adolescente. Mas é também um relato de perda, de luto, de trauma, de inseguranças, de superação e, por fim, de esperança. Adorei este livro!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Hearts Don't Break Round Here

domingo, 4 de junho de 2017

Novidade da Porto Editora - "A Química dos Nossos Corações"

Novidade da Porto Editora

A Química dos Nossos Corações




De Krystal Sutherland



Sinopse:

     Henry Page não esperava apaixonar-se. Considera-se um romântico, mas nunca viveu aquele momento em que o tempo para, a barriga se enche de borboletas e a música começa a tocar, sabe-se lá onde. Pelo menos, até ao momento.

     Então, conhece Grace Town, a esquiva nova colega de escola, que se veste com roupa de rapaz demasiado grande, apoia-se numa bengala, parece tomar banho poucas vezes e esconde segredos desconcertantes. Não é bem a rapariga de sonho que Henry esperava, mas quando os dois são escolhidos para coordenar o jornal da escola, a química acontece. Depois de tantos anos a salvo do amor, Henry está prestes a descobrir como a vida pode seguir um caminho tortuoso e como, por vezes, os desvios são a parte mais interessante desse mesmo caminho.

     Uma estreia brilhante que equilibra humor e corações partidos, lembrando-nos de como o primeiro amor pode ser agridoce.

O primeiro amor é um desastre épico

    Krystal Sutherland nasceu em Townsville, Austrália, um lugar que não conhece o inverno. Já adulta, passou por Sydney onde coordenou a revista da universidade que frequentava; por Amesterdão, onde trabalhou como correspondente de um jornal; e Hong Kong. Krystal estagiou na Bloomsbury Publishing e foi nomeada para o Queensland Young Writers Award. Não tem animais de estimação, nem filhos, mas adora dar nomes a objetos inanimados: por exemplo, teve uma bicicleta holandesa chamada Kim Kardashian e um dinossauro pequeno e insuflável chamado Herbert. A química dos nossos corações é o seu primeiro romance.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Opinião sobre "A Educação de Eleanor" - Gail Honeyman

A Educação de Eleanor
(Artigo de Opinião)


Autora: Gail Honeyman
Título Original: Eleanor Oliphat is Completely Fine (2017)
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 978-972-0-04898-1
Nº de páginas: 328
Editora: Porto Editora


Sinopse

     Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.

     Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.

     A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

    Livro de estreia de Gail Honeyman, "A Educação de Eleanor" narra a história de uma mulher inadaptada aos padrões da sociedade. Este é um livro diferente e apaixonante, com uma protagonista sui generis que vai conquistando aos poucos, e que é, em grande parte, uma homenagem belíssima ao poder da amizade.

    Eleanor Oliphant é uma mulher na casa dos trinta com falhas graves na sua capacidade de interação social, e que encara o mundo de forma muito própria, segundo padrões algo excêntricos, o que leva a que seja uma pessoa bastante solitária. Isto, por si só, não a incomoda particularmente, visto que a rotina lhe transmite segurança e que o seu interesse em possuir uma vida social não é de todo relevante. Porém, apesar de crer não precisar de pessoas para viver tranquilamente, a verdade é que Eleanor sente que ter alguém na sua vida poderia ser a solução para todos os seus problemas. 

    Assim, desenvolve uma paixão platónica por um músico que viu atuar num concerto e que assume como sua alma gémea. No seu fascínio que roça quase a obsessão, Eleanor enceta um plano para se dar a conhecer ao cantor, enquanto tenta gerir a sua recente vida social. No entanto, não está habituada a este jogo de aparências, e as ilusões podem sair-lhe caras. 

    E depois há Raymond, um novo colega de trabalho que, embora com muitos defeitos, se torna o primeiro amigo de Eleanor, depois de ajudarem Sammy, um senhor idoso que se sentiu mal em plena rua. É através desta amizade que se desenvolve entre os três que os círculos sociais de Eleanor se vão alargando, e ela vai conhecendo pessoas que, lentamente, vão mudando a sua opinião sobre o mundo e sobre si própria, ao mesmo tempo que ajudam a sarar as feridas do passado, abrindo um espaço no coração dela para poder para começar de novo.

  Eleanor é uma personagem deliciosamente singular, criativa e tocante, e ao mesmo tempo extremamente complexa. Sendo uma mulher inteligente, as suas linhas de pensamento são, no mínimo, peculiares. Marcada por uma infância complicada e por um relacionamento abusivo com a mãe, é uma mulher de hábitos, apegada à rotina, e que procura conforto na própria solidão. Achei interessante o modo como me fui afeiçoando, aos poucos, à protagonista. Sem dúvida que, ao primeiro contacto, Eleanor é uma personagem que causa estranheza, devido à forma pouco comum como interpreta o mundo, à sua sinceridade absoluta e ao modo como gere a sua vida. Percebemos que a sua maneira de ser está fortemente ligada com algo que aconteceu no seu passado, mas é ao longo da história que vamos descobrindo a verdade que tantas vezes Eleanor se esforça por esquecer. 


   Raymond é um homem descontraído e amável, divertido e gentil, e é exatamente o tipo de amigo que Eleanor precisava, assinalando, de certa forma, o ponto de viragem na sua vida. As cenas partilhadas entre os dois representam sempre momentos de descoberta para Eleanor, que, passo a passo, vai começando finalmente a lidar com a dor e a aceitar que há coisas que não são culpa sua.

    A escrita da autora é muito agradável e o tom empregue oscila frequentemente entre a dureza na narração de partes mais fortes, e o sentido de humor que confere ligeireza às partes mais divertidas, nomeadamente nas que constituem o processo de reaprendizagem de Eleanor. A sensibilidade com que a autora trata toda a história torna-a comovente. A própria visão que a protagonista tem de si própria, as suas inseguranças e a sua inabilidade para lidar com os outros, fazem dela uma personagem especial, e, assim que a conhecemos suficientemente bem, começamos a torcer por ela como se fosse uma pessoa real, pois começamos a sentir que, de facto, o é. 

    A evolução que caracteriza o percurso da protagonista estende-se até ao desfecho, que gostava que fosse  um pouco mais conclusivo e que oferecesse mais certezas e garantias. Todavia, gostei que a sugestão ficasse apenas no ar e que o resto coubesse exclusivamente à imaginação do leitor.

    "A Educação de Eleanor" é um daqueles livros especiais que nos aparecem de vez em quando e que nos fazem encarar a vida de forma diferente. Mais que uma história sobre uma mulher fragilizada e com capacidades sociais invulgares, esta é uma maravilhosa reflexão sobre a vida, em todo o seu encanto e complexidade, e sobre o poder que cada pequena boa ação pode gerar. Adorei e recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Rita Ora_Your Song

domingo, 28 de maio de 2017

Novidade da Porto Editora - "A Educação de Eleanor"

Novidade da Porto Editora

A Educação de Eleanor




De Gail Honeyman



Sinopse:

     Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.

Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.

A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.

Livro de estreia de Gail Honeyman foi um dos mais destacados na feira do livro de Frankfurt de 2015

    Gail Honeyman vive e trabalha em Glasgow. A Educação de Eleanor, o primeiro livro da autora, foi um dos livros mais destacados na feira do livro de Frankfurt de 2015, tendo direitos de tradução cedidos para 26 países.

Opinião da Imprensa:

"Eleanor Oliphant é uma personagem literária deveras original: divertida, tocante e imprevisível."_Jojo  Moyes

"Um prazer absoluto! De rir às gargalhadas. E muito comovente."_Daily Express

"Um livro que tem tanto de perspicaz e de sério quanto de divertido e de cativante.»«Eleanor é uma mulher marcada por uma solidão profunda e pelas sombras de uma infância devastadora, que nem suporta recordar. Pouco a pouco, e demonstrando uma coragem extraordinária, Eleanor começa a despojar-se das várias camadas de torpor em que se protegera, permitindo que outras pessoas se aproximem dos seus sentimentos e abrindo caminho para uma vida de que ela considerava ser indigna. Engenhoso, bondoso e verdadeiramente tocante; adorei este livro."_Paula McClain

"Uma voz original e magnífica a descrever a solidão: solucei sem parar."_Cathy Rentzenbrink

"Um livro que tem tanto de perspicaz e de sério quanto de divertido e de cativante."_The Observer

"Eleanor é deliciosamente divertida e as suas observações puritanas sobre a vida quotidiana revestem-se de um humor travesso muito refinado. Os leitores sentir-se-ão atraídos pela história trágica desta mulher – que vai revelando aos poucos o seu passado e as razões que a tornaram afinal tão singular – e alegrar-se-ão por ver Eleanor a transformar o seu passado escuro num futuro bem mais brilhante."_The Booklist

"Uma análise incrível, literária e, não obstante, divertidíssima, sobre a solidão e o impacto que um pequeno gesto de bondade pode ter na vida de uma pessoa."_Goodreads