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domingo, 18 de novembro de 2018

Opinião sobre "Aceitação" (Trilogia da Área X #3) - Jeff VanderMeer

Aceitação
(Trilogia da Área X #3)
(Artigo de Opinião)


Autor: Jeff VanderMeer
Título Original: Acceptance (2014)
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 978-989-773-095-5
Nº de páginas: 288
Editora: Saída de Emergência

ATENÇÃO: esta opinião pode conter spoilers de livros anteriores

Sinopse

      Será que há finalmente respostas para os mistérios da Área X? O inverno chegou à Área X, a misteriosa zona que desafia toda a lógica há mais de trinta anos e que tem resistido a inúmeras expedições que procuram desvendar os seus segredos.

     À medida que a Área X se expande, a agência responsável por investigá-la colapsa e mergulha no caos. Cabe a uma última e desesperada equipa atravessar a fronteira e alcançar a ilha remota que pode conter as respostas ao enigma. Se falharem, o mundo vai sucumbir à devastação que não para de alastrar.

   Neste último volume, a verdade sobre a criação da Área X poderá ser revelada, bem como os eventos e protagonistas que originaram a sua contaminação. Mas estarão os membros da equipa preparados para as implicações aterradoras e profundas dessas revelações?



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

     Em "Aniquilação" e "Autoridade" mergulhámos na misteriosa Área X e acompanhámos os esforços realizados pela Extensão Sul para compreender e conter os avanços dos estranhos fenómenos que assolam aquele estranho local. Depois da forma como "Autoridade" terminou, estava bastante curiosa para ver como é que o autor ia terminar esta trilogia cheia de potencial, e ansiosa para descobrir finalmente todos os segredos da Área X. E a verdade é que... não foi bem isso que aconteceu.

       Os dois primeiros volumes desta série foram uma espécie de preparação para "Aceitação", onde as peças do puzzle se começam a juntar, mas onde também muitas delas continuam perdidas ou sem sabermos bem onde as encaixar. Mas Jeff VanderMeer guardou vários trunfos na manga e consegue surpreender neste livro, principalmente no final imprevisível e inesperado.

     Os capítulos de "Aceitação" estão divididos por vários narradores, que nos falam em diferentes perspetivas e em diversos períodos temporias, e que nos permitem encarar a Área X de uma forma mais dimensional. O facto de termos várias pessoas a contar a história, e em estilos diferentes, torna a leitura um pouco mais dinâmica, mas também mais confusa. Senti, por vezes, a falta de algumas introduções que proporcionassem um contexto pessoal, temporal e espacial do que estava a ser descrito, que me permitissem entrar mais facilmente nesse segmento da história.

    Todos os livros desta trilogia, mas em particular este volume, obrigam a uma leitura atenta, a uma concentração constante para que nenhum detalhe escape, pois tudo está orquestrado de forma a que até o mais aparentemente insignificante pormenor se revele fundamental para o entendimento da trama. A escrita de Jeff VanderMeer é soberba e extremamente rica, cheia de descrições minucosas, mas, apesar de a admirar, senti que acabou por tornar a leitura muito densa e morosa, chegando mesmo a ser cansativa. Por diversas vezes senti que faltava ritmo à história e que estava simplesmente a arrastar a leitura, sendo que nem mesmo a curiosidade me impelia a ler mais depressa.

     Neste volume, voltamos à Área X, e esse foi um dos motivos que me fez gostar mais deste livro do que do segundo, mas ainda assim não tanto como do primeiro. Em alguns dos capítulos, os níveis de tensão voltam a aumentar, uma vez que o perigo e a incerteza se vão tornando cada vez mais vincados à medida que acompanhamos algumas personagens dentro da Área X, e há alguns momentos que, só por serem tão bizarros, já fazem a leitura valer a pena.

     A verdade é que, quando terminei a leitura, me senti presa numa espécie de mix feellings: se por um lado me preencheu a sensação de dever cumprido, por outro senti que faltava algo mais para dar esta jornada por terminada. Geralmente gosto de finais em aberto, em que cabe ao leitor o papel de imaginar o final que melhor se encaixa na sua preferência, seguindo a linha ditada pelo autor. Mas, neste caso, queria mais - mais respostas, mais explicações, mais motivos e mais "o que vem depois". 

    Este livro chama-se "Aceitação", mas o autor tenta provocar em nós, leitores, exatamente a reação inversa: procura alertar-nos para a necessidade de começarmos a respeitar o planeta em que vivemos, levando-nos a refletir sobre a nossa própria fragilidade e sobre a urgência em protegermos a natureza, para que nos possamos também proteger a nós próprios, pois não somos seres independentes do meio que nos rodeia.

    A trilogia da Área X é uma leitura interessante mas complexa e exigente e que, apesar de provavelmente não satisfazer todos os leitores - por oferecer mais perguntas do que respostas -, recomendo ainda assim aos corajosos que procuram um livro diferente. Com uma escrita riquíssima, um enredo que marca pela originalidade e pela estranheza e um alerta para um futuro que se torna cada vez mais plausível, esta é uma trilogia que, por certo, não esquecerei tão cedo.

Opinião sobre outros livros de Jeff VanderMeer:
 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Radioactive_Imagine Dragons

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Opinião sobre "Carry On - A História de Simon Snow" - Rainbow Rowell

Carry On - A História de Simon Snow
(Artigo de Opinião)


Autora: Rainbow Rowell
Título Original: Carry On (2015)
Tradução: Fernanda Semedo
ISBN: 978-989-773-076-4
Nº de páginas: 400
Editora: Saída de Emergência

Sinopse

      Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma!


     Carry On - A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell - mas muito, muito mais monstros.

    Esta é a história de Simon Snow, a personagem fictícia que povoava a vida e imaginação de Cath em Fangirl, o fabuloso romance de Rainbow Rowell.




Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

      "Carry On - A História de Simon Snow" centra-se nas personagens da história que Cath, a protagonista de Fangirl (podem ler a minha opinião aqui), tanto gostava. Já há algum tempo que este livro me suscitava bastante curiosidade, principalmente pelas boas críticas que tem vindo a receber, e a verdade é que, apesar de sentir que alguns aspetos podiam ter sido melhor trabalhados, gostei bastante desta leitura!

      Simon Snow é um promissor jovem mágico, destinado a grandes feitos, mas a verdade é que, até agora, ainda nem compreende como controlar corretamente todo o seu poder. Finalista em Watford, uma conceituada escola de magia, tem de partilhar o quarto com o seu inimigo de longa data, Baz, um rapaz algo misterioso e sombrio que, aparentemente, passa a vida a tentar matá-lo e a tentar roubar-lhe a namorada.

    Como se isso não bastasse, Simon tem ainda de lidar com um perigo maior e mais real: o temível Hundrum, uma criatura destruidora que consome magia e que se assemelha a Simon em criança. Conseguirá Simon lidar com todos os problemas e derrotar o Mal ou poderá ter-se o destino enganado quanto a este jovem mágico? 

    No início, tive algum receio que a autora mantivesse a história com demasiados pontos comuns à de Harry Potter. E a verdade é que existem, de facto, muitas semelhanças à história de J. K. Rowling - uma escola de magia, um jovem orfão mágico destinado a derrotar o mal... -, mas, felizmente, existem também muitas diferenças, que dão um toque identitário à história, ou não fosse este livro uma fanfiction. Foi, assim, com agrado, que vi a autora "descolar" da história original de Harry Potter e reinventá-la  com vampiros, fantasmas, mistérios e muitas peripécias à mistura.

     Rainbow Rowell mantém o carácter algo desastrado dos personagens de que tanto gosto. Simon é supostamente o Escolhido, aquele que vai salvar todos do Mal, mas nem consegue controlar devidamente a sua magia, já para não falar da confusão que é a sua vida amorosa. Simon é uma personagem divertida e bondosa, mas, por vezes, achei-o um pouco superficial, motivo pelo qual acabei por gostar mais de Baz, um rapaz mais fechado que carrega consigo um pesado fardo e que mantém os seus sentimentos em segredo, mas com uma personalidade mais vincada e atrativa.

    Apesar de ter gostado de toda a fantasia e magia da história, penso que foi a componente romântica que verdadeiramente me prendeu, apesar - ou exatamente por - não ter assim um destaque tão significativo no livro. Sem querer entrar em grandes pormenores para evitar spoilers, gostei bastante da forma como a autora densenvolveu naturalmente um romance homossexual e abordou os sentimentos dos dois jovens, quer um pelo outro, quer consigo mesmos.

   A história tem bastantes clichês e, por vezes, peca um pouco pela falta de originalidade e pela previsibilidade em determinados tópicos, mas sem dúvida que compensa no desenvolvimento das personagens e nas relações entre estas.

    Por vezes senti que havia mais aspetos a ser explorados, acontecimentos do passado que tinham potencial e que dariam mais consistência à história. Além disso, senti que também o final merecia ter sido desenvolvido com mais profundidade, para fechar todas as pontas soltas, mas ainda assim gostei do toque de esperança que fica nas possibilidades em aberto.

     "Carry On - A História de Simon Snow" foi um livro que me conquistou aos poucos, à medida que ia mergulhando num mundo mágico que se afastava cada vez mais do familiar, e que ia conhecendo as personagens, que são o grande ponto forte desta história. Este é um livro que recomendo aos leitores que gostam de fantasia e que procuram uma leitura refrescante, amorosa e divertida. Gostei bastante!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Who you are

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Opinião sobre "Fangirl" - Rainbow Rowell

Fangirl
(Artigo de Opinião)


Autora: Rainbow Rowell
Título Original: Fangirl (2013)
Tradução: João Seixas
ISBN: 978-989-7-10209-7 
Nº de páginas: 448
Editora: Edições Chá das Cinco

Sinopse

       Cath ama os seus livros e a sua família. Haverá espaço para mais alguém?

     Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe.

       Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer.

     Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário.

    A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás?


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Edições Cha das Cinco em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Chá das Cinco pelo gentil envio do livro.

      Desde que li "Anexos", a minha estreia com Rainbow Rowell, que andava com imensa vontade de ler mais livros desta autora, e a publicação em Portugal de "Carry On - A História de Simon Snow" - um livro que tem sido muito bem recebido pela crítica - foi a oportunidade perfeita. No entanto, e apesar de "Carry On" ser um livro único, os protagonistas fazem parte de uma história que podemos encontrar em "Fangirl", motivo pelo qual decidi ler este primeiro. E a verdade é que gostei!

      Cath e Wren são gémeas idênticas e, desde pequenas, têm sido sempre o apoio uma da outra. Desde que a mãe as deixou, ainda crianças, que se refugiam no universo de Simon Snow - um personagem de uma história de fantasia -, tendo acabado por passar grande parte da sua adolescência a escrever fancfics sobre ele, habitando esse mundo de fantasia onde tudo faz sentido.

       No entanto, chegou a hora de ir para a universidade e Wren sente que precisa de se distanciar um pouco da irmã para poder criar a sua própria identidade. Porém, Cath está habituada a viver na sombra de Wren e não sabe bem o que fazer agora que não tem a irmã para a guiar. 

       Como se isso não bastasse, tem de aprender ainda a lidar com a sua peculiar - e algo rabugenta - colega de quarto, bem como com o amigo desta - com o qual se cruza involuntariamente de cada vez que este vai ao seu quarto -, com um professor que não compreende os seus gostos e com um colega de escrita criativa, cujas intenções ainda não conseguiu perceber. E tudo isto enquanto se preocupa com o estado de saúde do pai.

       Conseguirá Cath adaptar-se à nova vida na universidade? E se para isso tiver de deixar Simon Snow no passado?

      Gostei de observar a evolução de Cath ao longo do livro, bem como acompanhá-la na descoberta de si própria. No início da história, Cath é uma rapariga introspetiva e algo dependente, muito inocente, acostumada a seguir o exemplo da irmã e refugiando-se constantemente no seu mundo de fantasia, o seu ambiente seguro. Mas a ida para a faculdade e o afastamento da sua outra metade obrigam-na a crescer e a começar a fazer decisões por si própria, bem como a encontrar um grupo de amigos fora dos livros e da internet. Com o decorrer da história, Cath vai aprender que é importante adotar pequenas mudanças que a façam feliz, mas que deve sempre manter-se fiel a si própria.

   Os capítulos que narram a vida de Cath alternam com alguns excertos da história de Simon Snow ou da fanfiction que esta escreve. No início, tive alguma curiosidade na história de Simon Snow - verdade seja dita, muito semelhante à de Harry Potter -, mas confesso que, mais ou menos a meio do livro, comecei a perder algum interesse nestes capítulos, pois queria regressar rapidamente às aventuras e desventuras de Cath. 

      Apesar de "Fangirl" ser essencialmente sobre Cath, acabamos por também seguir alguns episódios da vida de Wren. Wren é substancialmente diferente da irmã, o que, inicialmente, me levou por múltilplas vezes a questionar como é que, durante tantos anos, as duas foram tão unidas e depois sofreram uma rutura tão abrupta na relação ao chegarem à universidade. Ao contrário de Cath, Wren é uma rapariga mais extrovertida, que gosta de ir a festas e que facilmente se destaca, mas que nem sempre faz as escolhas mais corretas. Não gostei do facto de simplesmente ter abandonado a irmã ao chegar à universidade.

    Nick, o colega de "Escrita Criativa" de Cath, foi uma personagem que me irritou. Tendo algum relevo na história, Nick foi-se insinuando na vida da protagonista, mas os seus motivos não eram os mais nobres. Por mais estranho que possa parecer, gostei de "não gostar" de Nick, pois fez-me ver que Rowell também consegue criar personagens egoístas e mesquinhas.

     Já Levi foi uma constante lufada de ar fresco! Melhor amigo (ou namorado?) da colega de quarto de Cath, Levi é uma personagem que eu gostava que fosse real. Sempre bem disposto e um eterno otimista, é um rapaz amoroso que consegue ver Cath como ela é: uma rapariga tímida e com dificuldades em relacionar-se com as pessoas, mas que vale a pena conhecer.

     Um dos grandes pontos positivos deste livro é, sem dúvida, a escrita da autora: adoro os diálogos entre as personagens, ver a forma como estas interagem. Rainbow Rowell sabe como prender os leitores nas pequenas perfeições e imperfeições das personagens que cria, mostrando não o lado bom ou o lado mau, mas sim o lado humano.

     À semelhança de "Anexos", em "Fangirl" encontramos uma história bastante divertida e envolvente, com personagens interessantes e cheias de defeitos e de qualidades, o que as torna simultaneamente únicas e comuns: em suma, reais. Com uma escrita bem disposta e fácil de acompanhar, este é não só um livro que prova que um pouco de mudança pode trazer ao de cima um lado nosso que desconhecíamos e ajudar-nos a ganhar confiança em nós próprios, mas que é também uma homenagem a todos os leitores que sonham vidas para o seus heróis literários. Gostei muito!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Who you are

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Opinião sobre "Rainha Vermelha" (Rainha Vermelha #1) - Victoria Aveyard

Rainha Vermelha
(Rainha Vermelha #1)
(Artigo de Opinião)


Autora: Victoria Aveyard
Título Original: Red Queen (2015)
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
ISBN: 978-989-637-848-6
Nº de páginas: 352
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena? 

     O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
     Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

       Desde que saiu que "Rainha Vermelha" tem obtido críticas muito díspares: se uns amam, outros odeiam. Talvez por isso, fiquei com vontade de ler e perceber em qual dos pólos me encaixava, mas a verdade é que fiquei no meio: gostei da história, mas admito que nem tudo me satisfez. 

     Mare Barrow, uma jovem de 17 anos, vive num mundo com o qual não se identifica, pois a sociedade divide-se em duas classes bem distintas e imiscíveis, e que se evidenciam pela cor do sangue e pelos poderes que lhe são inerentes: os Vermelhos, a classe pobre e trabalhadora, forçada a servir os Prateados - o estrato superior, composto por pessoas poderosas que se fazem valer das suas capacidades e estatuto para explorar e oprimir os mais fracos. Descontente com o seu modo de vida, Mare é uma ladra exímia, que passa os seus dias a roubar bolsos alheios com o propósito de ajudar a família - atitude que não é particularmente bem recebida - e que vê aproximar-se o dia em que também ela, à semelhança do que já acontecera com os seus três irmãos mais velhos, será convocada para combater nas trincheiras.

      Tudo muda quando, numa noite de particular desespero, Mare se cruza com um estranho que acaba por lhe arranjar um trabalho no palácio de Verão da família real. Mas as reviravoltas na vida de Mare não acabam por aí! A trabalhar como serva no palácio, a jovem vê o seu destino mudar drasticamente quando, em frente às mais importantes Casas da corte Prateada, Mare descobre que há um poder em si que, enquanto Vermelha, não devia existir, e que lhe garantirá um lugar que nunca sonhou ocupar. E é nessas circunstâncias que a protagonista tem o primeiro contacto com a Guarda Escarlate: um grupo de Vermelhos cansados de viver sob as ordens dos Prateados, e que assumem como sua a luta pela igualdade.

       Num mundo novo e em que nem tudo é o que parece, Mare vê-se metida num rol de intrigas e mistérios, ao mesmo tempo que faz os possíveis por ajudar uma rebelião que se insurge em segredo. Quais são as verdadeiras intenções dos príncipes? Poderá Mare confiar naqueles que a rodeiam? Será o seu poder uma dádiva ou uma maldição?

     A história é narrada na primeira pessoa por Mare, uma rapariga que vive num mundo dividido em classes e que está disposta a sacrificar-se pelos que ama e pelos valores em que acredita. Agradou-me a sua intrepidez e a sua garra, mas nem sempre concordei com o seu modo de atuação. É de louvar a sua capacidade de enfrentar o perigo e a sua lealdade aos princípios que a regem, bem como a capacidade de não se deixar deslumbrar pelo novo meio de luxo e poder que a rodeia. Preferia que tivesse uma identidade mais marcante, mas gostei dela como protagonista.

    Gostei da forma como a autora desenvolveu os dois príncipes, Cal e Maven, e das circunstâncias que influenciam o modo de agir de cada um. Algo que me suscitou interesse foi constatar que ambos os príncipes, tendo uma relação tão cordial, tinham motivações tão opostas. Outra personagem digna de destaque é a rainha Elara, uma governante cruel e dissimulada que a autora explorou convenientemente, e que me despertou imenso a curiosidade.

     Este livro tem um triângulo amoroso pouco sólido, o que, sinceramente, não sei se me desagrada ou não. Na verdade, a componente amorosa não é a mais destacada neste livro, embora também esteja presente. Se, por um lado, gostei que a preocupação principal da autora não fosse o romance, por outro fiquei com a sensação de que houve uma falha neste campo, pois a protagonista acaba por gerar sentimentos - embora diferentes - pelos dois príncipes, mas é fácil perceber desde logo por qual dos dois bate mais forte o coração. Ou seja, apesar de a história apontar num certo sentido - e mesmo que, em determinado momento, surjam algumas dúvidas -, percebe-se à partida a direção que os acontecimentos vão tomar, o que torna tudo um pouco previsível. Preferia que a autora tivesse criado mais suspense e mais dúvida, para gerar realmente um efeito surpresa.

    Tendo "Rainha Vermelha" começado por ser uma ideia para um argumento, isso reflete-se na preocupação com as descrições e os detalhes, bem como na forma como são apresentados os pensamentos da protagonista, dando o conjunto uma experiência quase cinematográfica. A escrita da autora espelha isso mesmo e cativou-me, pois consegui visualizar perfeitamente os cenários e as ações das personagens, ainda que tenha apresenta algumas falhas no campo emocional. O início foi um pouco lento, pois há muita informação para apreender, mas, assim que assimilei as capacidades do Prateados, bem como as Casas da corte, e que percebi o modo como funcionava a sociedade, o ritmo da leitura aumentou imenso e comecei a sentir-me realmente viciada na história.

     Penso que a história peca por duas principais razões: em primeiro lugar, há momentos em que a previsibilidade acaba por tomar conta da história, embora, felizmente, esta ainda consiga surpreender num número razoável de aspetos; mas aquilo que me fez mais confusão foi mesmo o facto de, por diversas vezes durante a leitura, ter sentido que "Rainha Vermelha" era uma mescla de vários outros livros que já li. Tendo uma componente bastante distópica e uma sociedade estratificada, reconheço que, por vezes, se torna difícil inovar, sem seguir, inicialmente, a via quase padronizada das histórias do género. No entanto, esperava que a autora se tivesse distanciado mais dos enredos já conhecidos, pois é praticamente inevitável a comparação durante a leitura.

     As reviravoltas no final marcaram pela diferença e foram realmente um ponto de viragem no rumo da história. Espero que a autora as aproveite para se distanciar de alguns clichês, criando uma teia de acontecimentos mais original, uma vez que a história e as personagens têm ainda muito para desenvolver.

     "Rainha Vermelha" é uma história com personagens bem desenvolvidas, uma escrita envolvente e um ritmo acelerado, que consegue prender a atenção do leitor. Não é um livro perfeito e, na minha opinião, nem todos os aspetos foram desenvolvidos da melhor forma, mas ainda assim considero que esta foi uma boa leitura e gostei do livro. Espero que, nos próximos volumes, Victoria Aveyard opte por se afastar do curso da intriga e do estilo de outros livros do género, pois considero que há ainda muito potencial a explorar na história de Mare. 

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Look What You Made Me Do_Taylor Swift

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Opinião sobre "Bando de Corvos" (Os Outros #2) - Anne Bishop

Bando de Corvos
(Os Outros #2)
(Artigo de Opinião)


Autora: Anne Bishop
Título Original: Murder of Crows (2014)
Tradução: Luís Santos
ISBN: 978-989-637-920-9
Nº de páginas: 416
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

    Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais.

      A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

    À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.


       Em "Letras Escarlates" conhecemos Namid, um mundo partilhado por seres humanos e Outros: seres sobrenaturais e predatórios que controlam os recursos e que decidem a sobrevivência - ou não -dos humanos. Somos ainda apresentados a Meg Corbyn, uma Cassandra Sangue, e aos habitantes do Pátio de Lakeside - Outros que toleram a convivência com os humanos -, nomeadamente a Simon, o metamorfo responsável pela gestão do mesmo. Tendo adorado "Letras Escarlates" (podem ler a minha opinião aqui), temi que este livro ficasse aquém das minhas expetativas; no entanto, apesar de, na minha opinião, "Bando de Corvos" não ter conseguido superar o primeiro livro, também não desiludiu!

       Em Thaísia, Outros estão finalmente a perceber a origem das duas drogas que têm causado tantas mortes e que ameaçam o precário estado de paz com os humanos. Enquanto isso, a intuição de Meg Corbyn diz-lhe que algo de muito mau está para chegar, mas não consegue perceber se as visões dizem respeito ao passado ou ao futuro. 

     O movimento "Seres Humanos Em Primeiro Lugar" também não ajuda à manutenção da harmonia e a tensão gerada é grande, não prometendo acabar bem para nenhuma das partes. Entretanto, a polícia de Lakeside faz os possíveis por conter as ameaças: trabalhando com os Outros para garantir que os humanos não pisam demasiado o risco, passando do ponto do não retorno; e assegurando ao máximo a segurança de Meg, que está na mira do Controlador. 

    Com tantos perigos à espreita e novas revelações com que lidar, tudo parece demasiado instável e volúvel. Conseguirá evitar-se o despontar de uma guerra entre humanos e Outros? Conseguirá Meg não sucumbir à necessidade quase constante de se cortar e que lhe rouba um pouco de vida a cada ferimento? Que segredos esconde ainda o Pátio de Lakeside? E quem é e quais serão os objetivos do Controlador?

    Gostei de descobrir mais sobre as diversas espécies que habitam Namid, mas ainda assim acho que a autora poderia dar mais destaque a algumas personagens que considero particularmente enigmáticas, como Tess e as Elementais. Penso que Anne Bishop, por vezes, se dispersa nas descrições detalhadas das rotinas do quotidiano de algumas personagens - principalmente Meg e Simon -, em vez de se focar mais nas entidades misteriosas que o leitor não conhece tão bem. Para tal contribui o facto de ação deste livro decorrer num curto espaço de tempo, que acaba por não permitir uma exploração consistente de determinados aspetos sem que tudo pareça demasiado concentrado. Ainda assim, considero que a história só teria a ganhar se a autora nos contasse mais sobre os outros habitantes do Pátio.

    Agradou-me o facto de Anne Bishop ter introduzido na história novas personagens e locais de Thaísia, bem como mencionado o estado da situação de tensão entre humanos e Outros noutros continentes de Namid, pois senti que isso deu consistência e realismo ao enredo. A ação neste livro não é particularmente homogénea - há cenas em que parece apenas morna ou até estagnada, o que dificulta um pouco a leitura; e outras que prometem revolucionar toda a intriga. Esta desigual intensidade acaba por quebrar um pouco o ritmo e por tornar a leitura um pouco cansativa nas partes mais aborrecidas.

     Apreciei constatar a evolução de Simon e dos Outros no que toca ao trato com os seres humanos. Nota-se algum do à vontade que começa a transparecer entre eles e os humanos, que, para além da óbvia influência de Meg, é ainda em grande parte o produto do esforço feito pela polícia de Lakeside, que continua a assumir um papel fundamental na sobrevivência de ambas as partes - não só por tentar controlar os danos causados, como também por mostrar aos Outros que é seguro confiar em alguns humanos. Mas Simon é, realmente, a personagem que mais alterações sofreu. Achei engraçado comparar o Simon deste segundo volume ao Simon que a Meg conheceu quando chegou ao Pátio. Apesar de, já na altura, este apresentar uma mente bastante aberta - pelo menos quando comparada à maioria das dos Outros -, encontramos agora um ser quase humano, que consegue conviver respeitando minimamente as leis da sociedade e que tem também a preocupação de proteger os humanos com quem se preocupa, ao invés de ver a extinção da espécie como solução única.

     Já relativamente à Meg, esperava uma melhor adaptação ao mundo exterior. É certo que,por ter sido mantida tantos anos em cativeiro, ela é como uma criança que está a ter o primeiro contacto com o mundo real: extraordinariamente inocente. Ainda assim, pensei que já começasse a ter uma melhor noção das coisas e um comportamento mais adequado a uma jovem da sua idade, com mais consciência de quem é e do que a rodeia. Há ainda a questão de estar a aprender a controlar o seu instinto relativamente à necessidade de se cortar, e foi essa natureza quase primitiva que mais me seduziu na personagem neste segundo volume.

     Pensei que, neste livro, a relação entre a Meg e o Simon iria ter vários desenvolvimentos, mas tal acabou por não se verificar. Nota-se que há uma atração entre eles, mas que é encarada de uma forma muito inocente e com alguma reticência por parte de ambos. De facto, apesar de admitirem começar a sentir algo estranho um pelo outro, muito pouco é feito para que os sentimentos se desenvolvam. Apesar de, no primeiro volume, não ter sentido falta desta componente romântica, confesso que, agora, já esperava um pouco mais das personagens  relativamente a este campo. Ambos sentem um carinho especial que não sabem como processar, e isso, por vezes, acaba por ser frustrante não só para as personagens, mas também para o próprio leitor, que esperava uma relação que não se desenvolve.

     Senti a falta de um vilão mais presente e ameaçador, que agitasse um pouco a trama e trouxesse um clima mais tenso. Logo no início, vemos acontecerem alguns ataques aos Outros, nomeadamente aos do clã dos Corvos, e temos também, ao longo da narrativa, alguns capítulos com descrições mais violentas dos maus tratos infligidos às Cassandra Sangue. Todavia, apesar de alguns diálogos entre o Controlador e pessoas que querem comprar os serviços por ele oferecidos, a verdade é que não senti realmente um clima de ameaça proveniente dessa misteriosa figura, talvez pelo facto de as referências a ela serem tão escassas.

    "Bando de Corvos" é uma boa continuação para a história iniciada em "Letras Escarlates", fornecendo algumas das respostas pelas quais ansiávamos, mas colocando simultaneamente muitas novas questões. Foi bom reencontrar as personagens e ver o caminho que a intriga tomou, e, apesar de não ter visto desenvolvidos todos os aspetos que esperava, acho que o livro se conseguiu manter à altura das minhas expetativas. O final prendeu-me realmente e estou muito curiosa para ver como vão evoluir as coisas no próximo volume, "Visão de Prata". Gostei bastante!

Opinião sobre outros livros de Anne Bishop:

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: I Could Use a Love Song_Maren Morris

sábado, 26 de agosto de 2017

"Monstress" vence Hugo Award

A novela gráfica Monstress, da autoria de  Marjorie Liu e ilustrada por Sana Takeda, ganhou o prémio “Hugo Award”, na sua categoria.

Desde 1995 que este prémio é atribuído aos melhores, dentro de várias categorias, como livros de Ficção Científica, BD, Cinema e Séries, entre outros.


O Júri de atribuição do prémio é composto por membros do World Science Fiction Convention e tem lugar anualmente.


O prémio para melhor novela gráfica tem sido atribuído desde 2009, tendo sido arrecadado nos anos anteriores por obras como: Saga, Ms. Marveland Girl Genius e The Sandman: Overture que ganhou o ano passado. Entre os nomeados deste ano estavam: Saga, Paper Girls, Black Panther, Ms. Marvel and The Vision.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

#66 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "O Contágio" - Saída de Emergência

E chegou a vez do resultado do passatempo realizado em parceria com a Saída de Emergência. É com grande satisfação que venho anunciar o vencedor do sorteio de um exemplar de "O Contágio", de Megan Abbott.




Este sorteio contou com 251 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...200! Que corresponde à participação de Elsa (...) Martins, de Sobreda.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Divulgação: "Bando de Corvos" (Os Outros #2) - Saída de Emergência

 Publicado pela Saída de Emergência

Bando de Corvos
(Os Outros #2)



De Anne Bishop

Sinopse:

     Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais.

A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.

Segundo livro da série Os Outros


    Anne Bishop vive em Upstate New York onde gosta de passar o tempo a jardinar, ouvir música e a criar mundos de grande imaginação. É autora de vários romances, incluindo a premiada Saga das Jóias Negras, bem como o Mundo Efémera e Trilogia dos Pilares do Mundo.



Opinião da Imprensa:

"Bando de Corvos não é só o melhor livro de fantasia do ano, é provavelmente um dos melhores de sempre."_All Things Urban Fantasy

"Os mundos criados por Bishop são tão tridimensionais e completos que nos saltam das páginas... Exótico, original, sensual."_Fresh Fiction

"Uma história incrivelmente original, profundamente imaginativa, maravilhosamente articulada e que se apresenta numa prosa clara, cristalina e vibrante."_Kirkus, Starred Review

"Não há nada que se assemelhe. Tornou-se uma autora incontornável."_Chicago Tribune

sábado, 20 de maio de 2017

#66 - Passatempo Especial 2º Aniversário: "O Contágio" - Saída de Emergência

Também a Saída de Emergência se juntou ao Dream Pages num passatempo de comemoração do 2º aniversário do blogue - com o sorteio de um exemplar de "O Contágio", de Megan Abbott - podem saber mais sobre o livro aqui.



Para que se possa habilitar a ganhar este livro que temos para oferecer, apenas tem de:

- Fazer gosto nas páginas da Saída de Emergência e da Chá das Cinco no Facebook (aqui e aqui);
- Fazer gosto na página do Dream Pages no Facebook, aqui;
- Seguir publicamente o blogue;

- Seguir o blogue no Instagram (aqui) dá uma entrada extra;
- Partilhar publicamente o passatempo dá uma entrada extra;

- Só participar uma vez (se não cumprir esta regra, a sua participação será anulada);
- Preencher todos os dados corretamente.
.

Agora é só participar!

O passatempo termina no dia 06 de junho às 23h59. As participações após esta data não serão válidas.


Notas:
- O passatempo é feito em parceria com a Saída de Emergência;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente através do site random.org;
- O vencedor será contactado por e-mail e será anunciado no blogue e na página do Facebook;
- Este passatempo só é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue e a Saída de Emergência não se responsabilizam pelo possível extravio do prémio nos correios.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Opinião sobre "Letras Escarlates" (Os Outros #1) - Anne Bishop

Letras Escarlates
(Os Outros #1)
(Artigo de Opinião)


Autora: Anne Bishop
Título Original: Written in Red (2013)
Tradução: Luís Santod
ISBN: 978-989-637-739-7
Nº de páginas: 512
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

      Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

     Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro – um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside – uma zona controlada pelos Outros.

   O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

    Já há algum tempo que queria experimentar a escrita de Anne Bishop, e foi "Letras Escarlates" a minha estreia com esta autora mundialmente conhecida pela sua capacidade de criar novos mundos e seres fantásticos. E só tenho uma coisa a dizer: adorei!

    A história passa-se em Namid, o mundo, que é dividido entre humanos e Outros, presas e predadores. Desde tempos antigos que a tolerância entre estes dois grupos tem vindo a ser cultivada com esforço, numa tentativa de controlar o número de vidas humanas perdidas. Os Outros são seres sobrenaturais que controlam Namid - e, consequentemente, os humanos -, e entre eles encontram-se indivíduos de variadas espécies: desde vampiros até metamorfos de lobos, corvos, corujas e ursos, passando por outros seres mais sombrios, mortíferos e poderosos que habitam o interior dos Pátios (reservas naturais localizadas em cidades humanas, onde os Outros habitam de modo a poder controlar os recursos e as atividades de que estes dispõem).

     Numa nevosa, fria e escura noite de inverno, conhecemos Meg Corbyn, uma humana de vinte e quatro anos, quando esta se encontra em fuga, procurando desesperadamente um lugar seguro onde se possa esconder. Um cartaz do Pátio de Lakeside, dando conta de uma vaga para o posto de Intermediária, fá-la dirigir-se à Ler e Uivar por Mais, a livraria gerida pelo líder do Pátio, Simon Wolfgard, um metamorfo de lobo.

    Meg consegue a vaga e começa a trabalhar na Estação do Intermediário, onde a sua função é, como o nome indica, servir de intermediária entre humanos e Outros, recebendo as entregas que vêm do mundo exterior e distribuindo-as pelos habitantes do Pátio. É o seu afinco, a sua simpatia e a determinação em fazer um trabalho bem feito que, aos poucos, vai conquistando o coração dos Outros - seres habituados a encarar humanos como simples carne -, e que leva Meg a tornar-se parte da comunidade.

    Porém, Meg anda em fuga e é um bem valioso para quem a procura e, apesar de todos no Pátio tentarem zelar ao máximo pela sua segurança, os seus perseguidores têm vantajosos meios disponíveis e pouco espaço de manobra para falharem. Quererão os Outros arriscar os seus para proteger uma humana? Serão capazes de fazê-lo? E a que custo?

     Anne Bishop criou um mundo cativante e complexo, onde cada ser tem o seu lugar e a sua razão de ser. Logo no início, temos um pequeno capítulo intitulado "Uma Breve História do Mundo" que, acompanhada por outros recursos - como, por exemplo, mapas -, contextualiza a história e o mundo que iremos encontrar.

     Algo que me agradou bastante prende-se com a facilidade de entrar no universo criado, apesar de este ser bastante intrincado, Tal dever-se-á, por certo, ao facto de conhecermos este mundo juntamente com Meg, e irmos aprendendo aos poucos as regras e os segredos do Pátio e dos seus habitantes. Penso que a autora terá feito um esforço para que o autor não se sentisse completamente perdido neste novo mundo, e isso é sem dúvida um ponto positivo.

   Outra coisa que apreciei foi a construção das personagens. Quer os humanos quer os Outros encontrados são indivíduos com o grau certo de profundidade e de relevância na história, aparecendo nos momentos certos para agitar a trama. Gostei muito da grande variedade de seres que encontramos e de descobrir o seu papel no Pátio. Nem tudo nos é revelado logo neste primeiro livro e fica a sensação de que há personagens com ainda muito potencial a ser explorado nos próximos volumes, como é o caso de Tess e das Elementais. Adorei Sam, uma personagem que ganha bastante destaque durante a narrativa, e que conquista com a sua fofura. Também me agradaram as relação entre Outros e humanos - principalmente os polícias -, e o esforço tenso de ambas as partes para manter uma convivência cordial que garantisse a paz. Os "monstros" são apresentados de uma forma real e pouco embelezada, transmitindo a sua essência de predadores, mas também o empenho dedicado ao alcance de uma relação de tolerância para com os humanos.

     Encontramos a figura de vilão em Asia Crane, apesar de esta ser apenas um figura menor a mando de alguém poderoso, e no Controlador de Meg, que, mesmo não aparecendo fisicamente na história, está sempre presente, não só através do medo da protagonista, mas também nas figuras que coloca no encalço de Meg, uma vez que considera esta sua propriedade e uma valiosa fonte de rendimento. Relativamente a Asia Crane, apesar de achar que é uma personagem bem construída, por vezes questionei-me quanto à sua ingenuidade e quanto aos motivos que verdadeiramente a faziam arriscar a sua vida. É uma personagem mesquinha e irritante, mas acabei por me rir com algumas das situações em que se metia.

    Meg é o centro em torno do qual toda a ação gira. É uma rapariga doce e esforçada, que pela primeira vez está a ter um contacto real com o mundo e com as sensações, mas que tem um passado que a persegue - literalmente. É a sua inocência e bondade, mas também a sua singularidade ao lidar com algumas situações, que cativa os Outros e que lhe reserva um lugar na comunidade do Pátio de Lakeside. Apesar de ter gostado muito de Meg e das situações caricatas que esta protagoniza, tenho de admitir que me rendi a Simon. O metamorfo, apesar de ser um dos Outros que mais contacto tem com o seres humanos, inicialmente ainda os encara muito como presas. Assim, faz-lhe alguma confusão que Meg desperte nele sensações diferentes, nomeadamente uma necessidade de a proteger. Simon é quem apresenta uma maior evolução ao longo da narrativa, pois vê-mo-lo perder alguma da rudeza e ferocidade que apresentava inicialmente, sendo estas substituídas por

     Confesso que passei grande parte do livro à espera que acontecesse algo entre Meg e Simon, o que acabou por não acontecer. Se primeiramente achei isso um pouco frustrante, acabei por ficar agradada com o facto de a autora não fazer do romance uma prioridade na trama. Meg e Simon vão-se conhecendo e mudando as opiniões que têm um sobre o outro e, apesar de podermos vislumbrar a possibilidade de qualquer coisa entre eles, ela não se desenvolve neste livro. Quem sabe nos próximos aconteça alguma coisa...

     Resta-me dizer que também me rendi à escrita de Anne Bishop. Mesmo não sendo o livro narrado na primeira pessoa, conhecemos bem as personagens e as suas intenções, e temos os planos das personagens certas para que entendamos o que está a acontecer. A escrita é fluída e envolvente, com uns divertidos toques de humor que cativam facilmente. Apenas tenho a dizer que, por vezes, algumas cenas - como, por exemplo, o quotidiano de Meg na estação -, poderiam ser encurtadas, por não serem as mais relevantes na trama. Fora isso, não tenho nada de negativo a apontar.

     "Letras Escarlates" é um dos melhores livros de fantasia urbana que já li, e é um início perfeito para uma série muito promissora. Com um mundo interessante e sem falhas e personagens que cativam pela sua originalidade, Anne Bishop conquistou-me! Aproveito ainda elogiar a capa da edição portuguesa deste livro, que é simplesmente linda e que capta na perfeição vários elementos da essência da história. Mal posso esperar por ler "Bando de Corvos", o segundo volume da série "Os Outros". Recomendo sem reservas!     

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: I Could Use a Love Song_Maren Morris

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Divulgação: "Rainha Vermelha" (Rainha Vermelha #1) - Saída de Emergência

Publicado pela Saída de Emergência

Rainha Vermelha
(Rainha Vermelha #1)



De Victoria Aveyard

Sinopse:

     A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena? 

O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.
O poder é um jogo perigoso


   Victoria Aveyard é uma autora de 26 anos com formação em Escrita de Argumentos da Universidade do Sul da Califórnia que, tendo verificado que todas as histórias boas para filmes já tinham sido usadas (e as más também), decidiu ela própria escrever uma: Rainha Vermelha.

      Agora divide o seu tempo entre East Longmeadow, Massachusetts e Los Angeles. Neste momento dedica-se ao segundo volume depois de Rainha Vermelha, enquanto tem outros projetos literários e cinematográficos. A Universal Pictures já detém os direitos para uma produção a partir do livro.


Opinião da Imprensa:

"Aveyard tece um novo mundo cheio de desafios e surpresas repletas de ação e emoções fortes... inventivo e com fortes personagens."_Kirkus

terça-feira, 2 de maio de 2017

Opinião sobre "Autoridade" (Trilogia da Área X #2) - Jeff VanderMeer

Autoridade
(Trilogia da Área X #2)
(Artigo de Opinião)


Autor: Jeff VanderMeer
Título Original: Area X (2014)
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 978-989-773-018-4
Nº de páginas: 304
Editora: Saída de Emergência

ATENÇÃO: esta opinião pode conter spoilers de livros anteriores

Sinopse

      Após 30 anos, os únicos traços humanos detetados na Área X – uma estranha zona contaminada cercada de uma fronteira invisível e sem traços de civilização – são os que foram deixados por expedições sucessivas sob autoridade de uma agência tão secreta que quase foi esquecida.

  Face à tumultuosa 12.ª expedição narrada em Aniquilação, a agência tem um novo diretor nomeado, John Rodrigues, também conhecido por Control. A braços com uma equipa desesperada e frustrada por uma série de incidentes e vídeos perturbantes, Control começa a desvendar lentamente os segredos da Área X e dos mistérios narrados no primeiro volume, mas a cada descoberta que faz, é forçado a confrontar verdades sobre ele próprio e a agência que jurou servir.



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.


     "Aniquilação", o primeiro volume da trilogia da Área X, foi, sem dúvida, um livro marcante, não só pela sua originalidade - tanto ao nível da história como da escrita - mas também pela sua capacidade de agarrar o leitor, instigando-o constantemente e oferecendo mais perguntas que respostas. Assim sendo, fiquei muito curiosa com o final do primeiro volume e mal pude esperar para ter o segundo livro, "Autoridade", nas mãos. 

     "Autoridade" é um livro significativamente diferente do primeiro, o que mais uma vez demonstra a vertente inovadora de VanderMeer. Ao contrário de "Aniquilação", que era narrado segundo o ponto de vista da bióloga - integrante da décima segunda expedição que se encontrava na Área X -, "Autoridade" apresenta a perspetiva de John Rodriguez. Control, alcunha pela qual é conhecido, muda-se para assumir a posição de diretor da Extensão Sul, a agência governamental que se encarrega da Área X.

    Embora a bióloga se encontre na Extensão Sul, assume um papel muito menos relevante na história, apesar de as minhas cenas preferidas sejam as que se desenrolam com ela e com Control. De facto, é nas investigações e nas relações deste que o livro se foca. Control chega à Extensão Sul para substituir a antiga diretora e para fazer algumas reformas na agência, de forma a otimizar os serviços que investigam a Área X e com o objetivo de facilitar as possíveis descobertas sobre esse intrigante território que se expande um pouco mais a cada momento. Porém, rapidamente Control percebe que a sua missão não será tão simples como pensava, pois as pessoas que trabalham na agência há demasiado tempo têm a mais a esconder do que parece, e já começaram a padecer de alguns dos traços da loucura que caracteriza a Área X. Poderá ele descobrir os mistérios que envolvem este lugar tão caricato, ou estará condenado ao fracasso e à insanidade que se abate cada vez mais sobre as pessoas que convivem com a Área X?

    Inicialmente, e um pouco à semelhança de "Aniquilação", é ligeiramente difícil entrar na história, pois esta prima acima de tudo pela sua estranheza e bizarrice. De facto, tudo nesta história tem um carácter tão excêntrico que se torna complicado concentrarmo-nos com coisas tão fascinantes e macabras a acontecer. Além disso, este livro adota um estilo bastante díspar do anterior, o que, a par da falta de uma explicação direta que conecte o fim do primeiro volume com o princípio do segundo, gera alguma confusão.

   Outra diferença assinalável entre os dois livros prende-se com o plano focado. Enquanto que em "Aniquilação" vamos explorando a Área X, prendendo a respiração de cada vez que a protagonista estava em perigo, em "Autoridade" vamos descobrindo a parte exterior da Área X, ou seja, os segredos e as traições dentro da Extensão Sul, a agência responsável por compreendê-la e que se pode revelar tão ou mais perigosa do que a própria Área X.

    Fiquei um pouco desapontada com a lentidão dos acontecimentos. Apesar de continuar a achar a escrita de Jeff VanderMeer soberba, acho que neste livro faltou um pouco mais de celeridade, pois por diversas vezes senti que a leitura era demasiado lenta, tornando-se quase aborrecida. A trilogia da Área X é uma história com imenso potencial, mas acho que o autor se deveria ter aproveitado disso um pouco mais neste volume, dando mais destaque a alguns acontecimentos, de forma a cativar mais o leitor. Todavia, a escrita de Jeff é envolvente e irrepreensível, e o autor redime-se na reta final da história, onde a ação ganha um ritmo quase frenético, dirigindo-se para um culminar surpreendente que promete um último volume cheio de acontecimentos singulares e inesperados.

     "Autoridade" acaba e, apesar de já termos conseguido deduzir algumas respostas, mais uma vez são muitas as perguntas que permanecem no ar. Resta esperar que a publicação de "Aceitação" chegue depressa e que o último volume da Área X encerre as muitas questões que os livros antecessores despertaram. Apesar de este livro não me ter prendido tanto como o anterior, não deixa de ser uma boa leitura que recomendo, principalmente, aos fãs de thriller, terror e ficção científica.


Opinião sobre outros livros de Jeff VanderMeer:
 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Radioactive_Imagine Dragons