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domingo, 14 de abril de 2019

Opinião sobre "Coração Negro" - Naomi Novik

Coração Negro
(Artigo de Opinião)


Autora: Naomi Novik
Título Original: Uprooted (2015)
ISBN: 978-989-7-73119-8
Nº de páginas: 432
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

    Agnieszka adora a sua pacata aldeia no vale, as florestas e o rio cintilante. Mas o maléfico Bosque permanece na fronteira e a sua sombra ameaçadora paira sobre a vida da jovem.

   O povo depende do feiticeiro conhecido apenas por Dragão para manter os poderes de Bosque afastados. Mas o Dragão exige um terrível preço pela sua ajuda: uma jovem deve servi-lo durante dez anos, um destino quase tão terrível como perecer a Bosque.

    A próxima escolha aproxima-se e Agnieszka tem medo. Todos sabem que o Dragão irá levar a bela, graciosa e corajosa Kasia, tudo aquilo que Agnieszka não é, e a sua melhor amiga no mundo. E não há forma de a salvar. Mas Agnieszka teme as coisas erradas. Porque quando o Dragão chega, a sua escolha surpreende todos...





Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

     Estava com grandes expetativas para este "Coração Negro", mas a verdade é, apesar de ter sido uma boa leitura, diferente e com aspetos verdadeiramente originais, houve, ainda assim, algumas coisas que me desapontaram.

     Os habitantes de uma aldeia de Polnya já sabem que, de dez em dez anos, uma das suas jovens terá de ser entregue ao Dragão, um poderoso feiticeiro, como pagamento pela proteção contra o malvado Bosque. Agnieszka não tem dúvidas de que será a sua melhor amiga, a bela Kasia, a próxima a ser escolhida.

    Em primeiro lugar, dizer que esta breve sinopse está muito longe de resumir tudo o que se passa neste livro. De facto, o descrito apenas resume as primeiras páginas, mas a narrativa dá uma volta gigante logo no início. A verdade é que a história muda tantas vezes de rumo que, apesar de este ser um stand alone - raro, diga-se, no género fantástico -, senti por diversas vezes, durante a leitura, que estava a ler não um, mas vários livros, o que inicialmente, causou alguma estranheza, mas que denota grande criatividade e originalidade.

    Agnieszka, a protagonista, sofre uma verdadeira transformação ao longo deste livro. Inicialmente desajeitada e habituada a assumir um papel secundário, vai ser forçada a desenvolver uma coragem e  um sentido de responsabilidade adequados aos desafios que terá de enfrentar. Apesar deste lado mais trapalhão da personagem, que poder-se-ia pensar torná-la mais relatable, a verdade é que não estabeleci de imediato uma conexão com a protagonista, o que, a princípio, me dificultou a entrada na história.

    Mais do que da protagonista, gostei muito da personagem do Dragão e, acima de tudo, do Bosque, que foi a entidade que mais curiosidade me despertou durante a leitura e que acho que foi extremamente bem conseguida. Achei mesmo muito interessante a construção e o conceito por detrás desta "criatura".

    No entanto, este livro teve, também, para mim, alguns pontos mais negativos. A autora é muito descritiva, o que é bom para o leitor conseguir visualizar os cenários, mas acaba por fazer grandes descrições de pormenores do quotidiano que se tornam repetitivas e aborrecidas. Além disso, senti que havia grandes quebras de ritmo, o que, aliado à falta de diálogos e à baixa componente romântica, fez com que certos trechos da leitura fossem particularmente lentos e maçudos. 

    A autora guarda para o final algumas reviravoltas e explicações verdadeiramente surpreendentes. No entanto, há também algumas coisas que ficam por explicar - meio em aberto -, o que, neste caso, não me agradou particularmente, pois senti que a história perdeu com isso. Gostava também de ter sabido mais sobre o funcionamento da componente mágica, que penso que podia ter sido mais aprofundada. 

   "Coração Negro" nem sempre foi uma leitura fácil, mas é inegavelmente uma trama original, complexa, muito bem pensada. Uma fantasia com inspiração na tradição eslava, com personagens sui generis que vão evoluindo ao longo da história e com um desfecho surpreendente, embora não totalmente satisfatório. Apesar de não ter adorado, ainda assim parece-me que agradará a muitos dos fãs de fantasia. 

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: EDEN_crash

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Opinião sobre "A Jaula do Rei" (Rainha Vermelha #3) - Victoria Aveyard

A Jaula do Rei
(Rainha Vermelha #3)
(Artigo de Opinião)


Autora: Victoria Aveyard
Título Original: King's Cage (2017)
ISBN: 978-989-773-128-0
Nº de páginas: 432
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     Quando a faísca da rapariga-relâmpago se apaga, quem ilumina o caminho para a rebelião? 


     Mare Barrow foi capturada e está impotente sem o seu poder, vivendo atormentada pelos erros do passado. Ela está à mercê do rapaz por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos da sua mãe, fazendo de tudo para manter o controlo de Norta — e de sua prisioneira.


     Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante da Pedra Silenciosa, a Guarda Escarlate organiza-se, deixando de agir nas sombras e preparando-se para a guerra. Entre os guerreiros está Cal, o príncipe exilado, que no meio das dúvidas tem apenas uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.



     Sangue vermelho e prateado correrá pelas ruas. A guerra está a chegar…

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

       No seguimento de "Rainha Vermelha" e "Espada de Vidro", chega "A Jaula do Rei", o terceiro e penúltimo volume da história de Mare Barrow, onde regressamos a uma Norta comandada pelo cruel rei Maven, que está empenhado em fazer prevalecer o poder prateado.

       O segundo volume termina com o aprisionamento de Mare, que neste livro se encontra, como o próprio nome indica, cativa n'"A Jaula do Rei". Com a sua liberdade restrita e os seus poderes enfraquecidos devido à Pedra Silenciosa, não lhe resta outra hipótese que não a de esperar uma oportunidade para fugir, o que, ainda assim, não implica que Mare esteja disposta a satisfazer os caprichos do rei, pois a jovem sanguenovo está empenhada em resistir, não importa o quão caro isso lhe saia.

    Por outro lado, temos a Guarda Escarlate, que continua a mover-se nas sombras, a tecer os seus planos de revolução, ansiando pelo dia em que os Vermelhos tomarão o poder e será feita justiça. No meio desta embrulhada, temos Cal, o príncipe despojado de trono, que se encontra dividido entre o sentido de lealdade e de dever e o que lhe dita o coração, mas que tem a certeza quanto à sua missão de regastar Mare.

    Entre jogos políticos e lutas de poder, a guerra está a chegar, e só um dos lados poderá sair vitorioso. Vermelhos ou prateados - quais vencerão e quais vão sucumbir? Alcançará a Guarda Escarlate a sua vingança, ou conseguirá Maven levar a sua avante e calar a voz dos oprimidos? E qual será o papel de Mare e de Cal no meio deste confronto?

   Começo por dizer que gostei mais deste volume do que do anterior, mas que ainda assim houve alguns momentos durante a leitura em que senti que a trama não estava a avançar. Neste livro encontramos mais ação e mais violência, e está bem patente o clime de tensão e de perigo que paira no ar, bem como o nervosismo das personagens face à ameaça de uma guerra prestes a estalar. Além disso, na primeira parte do livro, o facto de Mare estar presa oferece-nos uma visão mais aprofundada da corte, bem como dos seus ardis e jogos de poder, algo que achei bastante interessante. 

     Sinto que neste livro também temos uma evolução ao nível da caracterização psicológica das personagens. Vemos melhor explorado o vilão da trama, Maven, e confesso que, para mim, esse foi um dos pontos fortes, pois temos uma perspetiva aprofundada das suas motivações, do seu interesse obsessivo e até do que o tornou no ser cruel que é. Já Mare é daquelas personagens com quem tenho uma relação de amor-ódio, em que os pratos da balança estão em permanente desequilíbrio, quer para um lado, quer para o outro. Gosto do seu lado intrépido, da fidelidade aos seus princípios e do seu feito irascível, mas nem sempre consegue despertar empatia e, além disso, a certa altura, os seus pontos de vista começaram a tornar-se algo repetitivos. 

     Outro ponto que também me agradou, foi o facto de a história, ao contrários dos dois outros livros, não ter sido narrada apenas por Mare, mas também por outras duas personagens que, por serem de meios tão diferentes, trouxeram alguma frescura à história - e, nesse sentido, há que realçar o papel  de destaque assumido por Evangeline. 

    No entanto, senti que, a meio, o ritmo sofre um declínio e a narrativa torna-se um pouco mais aborrecida - um enrolar dos queixumes de Mare, da gabarolice de Maven e das indecisões de Cal -, embora se redima no final. O desfecho é impactante e Aveyard acaba a história num momento crucial, que me deixou ansiosa por pegar no próximo volume e ver como é que a autora vai acabar a história.

    Sinto que "A Jaula do Rei" recuperou um pouco da magia do primeiro livro, permitindo ao leitor conhecer melhor todo o leque de personagens - e não apenas os protagonistas -, e mergulhar nas intrigas e manipulações da corte e da Guarda Escarlate. Apesar de algumas falhas, esta é uma história com muito potencial, que espero que a autora aproveite em "Tempestade de Guerra". Depois deste final, mal posso esperar por pegar no último volume desta sega e ver como acabará esta disputa entre Vermelhos e Prateados e que destinos terá a autora reservados para Mare, Cal e Maven. Gostei!

     
Opinião sobre outros livros de Victoria Aveyard:

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Look What You Made Me Do_Taylor Swift

domingo, 18 de novembro de 2018

Opinião sobre "Aceitação" (Trilogia da Área X #3) - Jeff VanderMeer

Aceitação
(Trilogia da Área X #3)
(Artigo de Opinião)


Autor: Jeff VanderMeer
Título Original: Acceptance (2014)
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 978-989-773-095-5
Nº de páginas: 288
Editora: Saída de Emergência

ATENÇÃO: esta opinião pode conter spoilers de livros anteriores

Sinopse

      Será que há finalmente respostas para os mistérios da Área X? O inverno chegou à Área X, a misteriosa zona que desafia toda a lógica há mais de trinta anos e que tem resistido a inúmeras expedições que procuram desvendar os seus segredos.

     À medida que a Área X se expande, a agência responsável por investigá-la colapsa e mergulha no caos. Cabe a uma última e desesperada equipa atravessar a fronteira e alcançar a ilha remota que pode conter as respostas ao enigma. Se falharem, o mundo vai sucumbir à devastação que não para de alastrar.

   Neste último volume, a verdade sobre a criação da Área X poderá ser revelada, bem como os eventos e protagonistas que originaram a sua contaminação. Mas estarão os membros da equipa preparados para as implicações aterradoras e profundas dessas revelações?



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

     Em "Aniquilação" e "Autoridade" mergulhámos na misteriosa Área X e acompanhámos os esforços realizados pela Extensão Sul para compreender e conter os avanços dos estranhos fenómenos que assolam aquele estranho local. Depois da forma como "Autoridade" terminou, estava bastante curiosa para ver como é que o autor ia terminar esta trilogia cheia de potencial, e ansiosa para descobrir finalmente todos os segredos da Área X. E a verdade é que... não foi bem isso que aconteceu.

       Os dois primeiros volumes desta série foram uma espécie de preparação para "Aceitação", onde as peças do puzzle se começam a juntar, mas onde também muitas delas continuam perdidas ou sem sabermos bem onde as encaixar. Mas Jeff VanderMeer guardou vários trunfos na manga e consegue surpreender neste livro, principalmente no final imprevisível e inesperado.

     Os capítulos de "Aceitação" estão divididos por vários narradores, que nos falam em diferentes perspetivas e em diversos períodos temporias, e que nos permitem encarar a Área X de uma forma mais dimensional. O facto de termos várias pessoas a contar a história, e em estilos diferentes, torna a leitura um pouco mais dinâmica, mas também mais confusa. Senti, por vezes, a falta de algumas introduções que proporcionassem um contexto pessoal, temporal e espacial do que estava a ser descrito, que me permitissem entrar mais facilmente nesse segmento da história.

    Todos os livros desta trilogia, mas em particular este volume, obrigam a uma leitura atenta, a uma concentração constante para que nenhum detalhe escape, pois tudo está orquestrado de forma a que até o mais aparentemente insignificante pormenor se revele fundamental para o entendimento da trama. A escrita de Jeff VanderMeer é soberba e extremamente rica, cheia de descrições minucosas, mas, apesar de a admirar, senti que acabou por tornar a leitura muito densa e morosa, chegando mesmo a ser cansativa. Por diversas vezes senti que faltava ritmo à história e que estava simplesmente a arrastar a leitura, sendo que nem mesmo a curiosidade me impelia a ler mais depressa.

     Neste volume, voltamos à Área X, e esse foi um dos motivos que me fez gostar mais deste livro do que do segundo, mas ainda assim não tanto como do primeiro. Em alguns dos capítulos, os níveis de tensão voltam a aumentar, uma vez que o perigo e a incerteza se vão tornando cada vez mais vincados à medida que acompanhamos algumas personagens dentro da Área X, e há alguns momentos que, só por serem tão bizarros, já fazem a leitura valer a pena.

     A verdade é que, quando terminei a leitura, me senti presa numa espécie de mix feellings: se por um lado me preencheu a sensação de dever cumprido, por outro senti que faltava algo mais para dar esta jornada por terminada. Geralmente gosto de finais em aberto, em que cabe ao leitor o papel de imaginar o final que melhor se encaixa na sua preferência, seguindo a linha ditada pelo autor. Mas, neste caso, queria mais - mais respostas, mais explicações, mais motivos e mais "o que vem depois". 

    Este livro chama-se "Aceitação", mas o autor tenta provocar em nós, leitores, exatamente a reação inversa: procura alertar-nos para a necessidade de começarmos a respeitar o planeta em que vivemos, levando-nos a refletir sobre a nossa própria fragilidade e sobre a urgência em protegermos a natureza, para que nos possamos também proteger a nós próprios, pois não somos seres independentes do meio que nos rodeia.

    A trilogia da Área X é uma leitura interessante mas complexa e exigente e que, apesar de provavelmente não satisfazer todos os leitores - por oferecer mais perguntas do que respostas -, recomendo ainda assim aos corajosos que procuram um livro diferente. Com uma escrita riquíssima, um enredo que marca pela originalidade e pela estranheza e um alerta para um futuro que se torna cada vez mais plausível, esta é uma trilogia que, por certo, não esquecerei tão cedo.

Opinião sobre outros livros de Jeff VanderMeer:
 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Radioactive_Imagine Dragons

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Opinião sobre "Espada de Vidro" (Rainha Vermelha #2) - Victoria Aveyard

Espada de Vidro
(Rainha Vermelha #2)
(Artigo de Opinião)


Autora: Victoria Aveyard
Título Original: Red Queen (2015)
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
ISBN: 978-989-637-848-6
Nº de páginas: 352
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     O novo e eletrificante capítulo da série Rainha Vermelha intensifica a luta de Mare Barrow contra a escuridão que cresceu na sua alma… 

O sangue de Mare Barrow é vermelho mas a sua capacidade Prateada, o poder de controlar os relâmpagos, transformou-a numa arma que a corte real tenta controlar. A coroa acusa-a de ser uma farsa, mas quando ela foge do príncipe Maven – o amigo que a traiu –, Mare faz uma descoberta surpreendente: ela não é a única da sua espécie.

     Perseguida por Maven, Mare parte para descobrir e recrutar outros combatentes Vermelhos e Prateados que se juntem à batalha contra os seus opressores. Mas Mare encontra-se num caminho mortífero, em risco de se tornar exatamente no tipo de monstro que está a tentar derrotar.

     Será que ela vai ceder sob o peso das vidas exigidas pela rebelião?

     Ou a traição e a deslealdade tê-la-ão endurecido para sempre?

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

      Em "Espada de Vidro" voltamos ao mundo de Mare Barrow - uma sociedade em que a hierarquia se define pela cor do sangue e pelos poderes que esta acarreta. Temos os Vermelhos, o povo escravizado, à mercê dos caprichos dos Prateados, os poderosos do topo da cadeia. No entanto, há ainda um grupo de pessoas de sangue vermelho que possui uma mutação que lhes confere capacidades prateadas, os "sanguenovos", classe a que Mare pertence.
   
     Na continuação de "Rainha Vermelha", acompanhamos a jornada de Mare na procura dos outros sanguenovos, na sua tentativa de os salvar e de formar um exército capaz de combater o malvado rei Maven. Não constituísse já essa uma perigosa missão, a protagonista tem ainda de fazer escolhas que põem vidas em risco, enquanto tenta descobrir em quem pode  realmente confiar. Será Mare capaz de encontrar e proteger os outros sanguenovos antes que seja demasiado tarde para salvar o que quer que seja? E porá isso em causa a sua liberdade?

    No início, senti alguma dificuldade ao regressar ao mundo de Mare, não só por já não me recordar bem de alguns aspetos do livro anterior, mas principalmente porque este volume começa de forma algo lenta.

   O nível de complexidade aimenta inequivocamente. No entanto,  vários aspetos
 importantes ficaram por explorar. Se no primeiro livro assistimos à construção de um mundo, de uma sociedade, este segundo peca pelo facto de o foco incidir demasiado no plano de vingança da protagonista, sem que na verdade descubramos muito mais sobre as personagens e sobre os outros reinos.


      Se em "A Rainha Vermelha" senti que a protagonista tinha uma personalidade forte que combinava com o clima de opressão vivido pelo seu povo, já neste segundo livro achei a sua atitude demasiado egocêntrica. Por diversas vezes dei por mim algo irritada com o pedestal em que esta se colocava, bem como com as suas atitudes egoístas e o seu comportamento arrogante. Apesar de sentir alguma empatia pelo perigo que corre e de compreender alguma da sua sede vingativa, não gostei que deixasse que isso a cegasse e lhe toldasse o discernimento nalgumas decisões.


    A escrita de Victoria Aveyard mantém a capacidade de nos transportar para os cenários que descreve e de nos envolver no ambiente da trama durante a leitura. O que mais gostei neste livro foi, sem dúvida, o nível de ação: à medida que a narrativa progride, o ritmo dos acontecimentos vai-se tornando cada vez mais vertiginoso, o que, aliado à sensação de perigo constante, me fez que não querer pousar o livro, sempre na ânsia de saber o que iria acontecer a seguir.

     Tive pena que a rainha Elara não tenha ocupado um maior papel de destqdes, pois foi uma das personagens que mais curiosidade me suscitou no primeiro volume e que, no desenrolar da história, foi quase relevada para segundo plano neste segundo livro. Tambem gostava de ter visto mais cenas de Maven.

    "A Espada de Vidro" foi uma leitura que me cativou, ainda que não tenha satisfeito completamente as minhas expectativas, nomeadamente no que toca à evolução da protagonista. No entanto, continuo bastante curiosa com esta sociedade criada por Aveyard, e, depois deste final, mal posso esperar para pegar em "A Jaula do Rei".

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Look What You Made Me Do_Taylor Swift

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Opinião sobre "Carry On - A História de Simon Snow" - Rainbow Rowell

Carry On - A História de Simon Snow
(Artigo de Opinião)


Autora: Rainbow Rowell
Título Original: Carry On (2015)
Tradução: Fernanda Semedo
ISBN: 978-989-773-076-4
Nº de páginas: 400
Editora: Saída de Emergência

Sinopse

      Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma!


     Carry On - A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell - mas muito, muito mais monstros.

    Esta é a história de Simon Snow, a personagem fictícia que povoava a vida e imaginação de Cath em Fangirl, o fabuloso romance de Rainbow Rowell.




Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

      "Carry On - A História de Simon Snow" centra-se nas personagens da história que Cath, a protagonista de Fangirl (podem ler a minha opinião aqui), tanto gostava. Já há algum tempo que este livro me suscitava bastante curiosidade, principalmente pelas boas críticas que tem vindo a receber, e a verdade é que, apesar de sentir que alguns aspetos podiam ter sido melhor trabalhados, gostei bastante desta leitura!

      Simon Snow é um promissor jovem mágico, destinado a grandes feitos, mas a verdade é que, até agora, ainda nem compreende como controlar corretamente todo o seu poder. Finalista em Watford, uma conceituada escola de magia, tem de partilhar o quarto com o seu inimigo de longa data, Baz, um rapaz algo misterioso e sombrio que, aparentemente, passa a vida a tentar matá-lo e a tentar roubar-lhe a namorada.

    Como se isso não bastasse, Simon tem ainda de lidar com um perigo maior e mais real: o temível Hundrum, uma criatura destruidora que consome magia e que se assemelha a Simon em criança. Conseguirá Simon lidar com todos os problemas e derrotar o Mal ou poderá ter-se o destino enganado quanto a este jovem mágico? 

    No início, tive algum receio que a autora mantivesse a história com demasiados pontos comuns à de Harry Potter. E a verdade é que existem, de facto, muitas semelhanças à história de J. K. Rowling - uma escola de magia, um jovem orfão mágico destinado a derrotar o mal... -, mas, felizmente, existem também muitas diferenças, que dão um toque identitário à história, ou não fosse este livro uma fanfiction. Foi, assim, com agrado, que vi a autora "descolar" da história original de Harry Potter e reinventá-la  com vampiros, fantasmas, mistérios e muitas peripécias à mistura.

     Rainbow Rowell mantém o carácter algo desastrado dos personagens de que tanto gosto. Simon é supostamente o Escolhido, aquele que vai salvar todos do Mal, mas nem consegue controlar devidamente a sua magia, já para não falar da confusão que é a sua vida amorosa. Simon é uma personagem divertida e bondosa, mas, por vezes, achei-o um pouco superficial, motivo pelo qual acabei por gostar mais de Baz, um rapaz mais fechado que carrega consigo um pesado fardo e que mantém os seus sentimentos em segredo, mas com uma personalidade mais vincada e atrativa.

    Apesar de ter gostado de toda a fantasia e magia da história, penso que foi a componente romântica que verdadeiramente me prendeu, apesar - ou exatamente por - não ter assim um destaque tão significativo no livro. Sem querer entrar em grandes pormenores para evitar spoilers, gostei bastante da forma como a autora densenvolveu naturalmente um romance homossexual e abordou os sentimentos dos dois jovens, quer um pelo outro, quer consigo mesmos.

   A história tem bastantes clichês e, por vezes, peca um pouco pela falta de originalidade e pela previsibilidade em determinados tópicos, mas sem dúvida que compensa no desenvolvimento das personagens e nas relações entre estas.

    Por vezes senti que havia mais aspetos a ser explorados, acontecimentos do passado que tinham potencial e que dariam mais consistência à história. Além disso, senti que também o final merecia ter sido desenvolvido com mais profundidade, para fechar todas as pontas soltas, mas ainda assim gostei do toque de esperança que fica nas possibilidades em aberto.

     "Carry On - A História de Simon Snow" foi um livro que me conquistou aos poucos, à medida que ia mergulhando num mundo mágico que se afastava cada vez mais do familiar, e que ia conhecendo as personagens, que são o grande ponto forte desta história. Este é um livro que recomendo aos leitores que gostam de fantasia e que procuram uma leitura refrescante, amorosa e divertida. Gostei bastante!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Who you are

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Opinião sobre "Fangirl" - Rainbow Rowell

Fangirl
(Artigo de Opinião)


Autora: Rainbow Rowell
Título Original: Fangirl (2013)
Tradução: João Seixas
ISBN: 978-989-7-10209-7 
Nº de páginas: 448
Editora: Edições Chá das Cinco

Sinopse

       Cath ama os seus livros e a sua família. Haverá espaço para mais alguém?

     Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe.

       Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer.

     Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário.

    A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás?


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Edições Cha das Cinco em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Chá das Cinco pelo gentil envio do livro.

      Desde que li "Anexos", a minha estreia com Rainbow Rowell, que andava com imensa vontade de ler mais livros desta autora, e a publicação em Portugal de "Carry On - A História de Simon Snow" - um livro que tem sido muito bem recebido pela crítica - foi a oportunidade perfeita. No entanto, e apesar de "Carry On" ser um livro único, os protagonistas fazem parte de uma história que podemos encontrar em "Fangirl", motivo pelo qual decidi ler este primeiro. E a verdade é que gostei!

      Cath e Wren são gémeas idênticas e, desde pequenas, têm sido sempre o apoio uma da outra. Desde que a mãe as deixou, ainda crianças, que se refugiam no universo de Simon Snow - um personagem de uma história de fantasia -, tendo acabado por passar grande parte da sua adolescência a escrever fancfics sobre ele, habitando esse mundo de fantasia onde tudo faz sentido.

       No entanto, chegou a hora de ir para a universidade e Wren sente que precisa de se distanciar um pouco da irmã para poder criar a sua própria identidade. Porém, Cath está habituada a viver na sombra de Wren e não sabe bem o que fazer agora que não tem a irmã para a guiar. 

       Como se isso não bastasse, tem de aprender ainda a lidar com a sua peculiar - e algo rabugenta - colega de quarto, bem como com o amigo desta - com o qual se cruza involuntariamente de cada vez que este vai ao seu quarto -, com um professor que não compreende os seus gostos e com um colega de escrita criativa, cujas intenções ainda não conseguiu perceber. E tudo isto enquanto se preocupa com o estado de saúde do pai.

       Conseguirá Cath adaptar-se à nova vida na universidade? E se para isso tiver de deixar Simon Snow no passado?

      Gostei de observar a evolução de Cath ao longo do livro, bem como acompanhá-la na descoberta de si própria. No início da história, Cath é uma rapariga introspetiva e algo dependente, muito inocente, acostumada a seguir o exemplo da irmã e refugiando-se constantemente no seu mundo de fantasia, o seu ambiente seguro. Mas a ida para a faculdade e o afastamento da sua outra metade obrigam-na a crescer e a começar a fazer decisões por si própria, bem como a encontrar um grupo de amigos fora dos livros e da internet. Com o decorrer da história, Cath vai aprender que é importante adotar pequenas mudanças que a façam feliz, mas que deve sempre manter-se fiel a si própria.

   Os capítulos que narram a vida de Cath alternam com alguns excertos da história de Simon Snow ou da fanfiction que esta escreve. No início, tive alguma curiosidade na história de Simon Snow - verdade seja dita, muito semelhante à de Harry Potter -, mas confesso que, mais ou menos a meio do livro, comecei a perder algum interesse nestes capítulos, pois queria regressar rapidamente às aventuras e desventuras de Cath. 

      Apesar de "Fangirl" ser essencialmente sobre Cath, acabamos por também seguir alguns episódios da vida de Wren. Wren é substancialmente diferente da irmã, o que, inicialmente, me levou por múltilplas vezes a questionar como é que, durante tantos anos, as duas foram tão unidas e depois sofreram uma rutura tão abrupta na relação ao chegarem à universidade. Ao contrário de Cath, Wren é uma rapariga mais extrovertida, que gosta de ir a festas e que facilmente se destaca, mas que nem sempre faz as escolhas mais corretas. Não gostei do facto de simplesmente ter abandonado a irmã ao chegar à universidade.

    Nick, o colega de "Escrita Criativa" de Cath, foi uma personagem que me irritou. Tendo algum relevo na história, Nick foi-se insinuando na vida da protagonista, mas os seus motivos não eram os mais nobres. Por mais estranho que possa parecer, gostei de "não gostar" de Nick, pois fez-me ver que Rowell também consegue criar personagens egoístas e mesquinhas.

     Já Levi foi uma constante lufada de ar fresco! Melhor amigo (ou namorado?) da colega de quarto de Cath, Levi é uma personagem que eu gostava que fosse real. Sempre bem disposto e um eterno otimista, é um rapaz amoroso que consegue ver Cath como ela é: uma rapariga tímida e com dificuldades em relacionar-se com as pessoas, mas que vale a pena conhecer.

     Um dos grandes pontos positivos deste livro é, sem dúvida, a escrita da autora: adoro os diálogos entre as personagens, ver a forma como estas interagem. Rainbow Rowell sabe como prender os leitores nas pequenas perfeições e imperfeições das personagens que cria, mostrando não o lado bom ou o lado mau, mas sim o lado humano.

     À semelhança de "Anexos", em "Fangirl" encontramos uma história bastante divertida e envolvente, com personagens interessantes e cheias de defeitos e de qualidades, o que as torna simultaneamente únicas e comuns: em suma, reais. Com uma escrita bem disposta e fácil de acompanhar, este é não só um livro que prova que um pouco de mudança pode trazer ao de cima um lado nosso que desconhecíamos e ajudar-nos a ganhar confiança em nós próprios, mas que é também uma homenagem a todos os leitores que sonham vidas para o seus heróis literários. Gostei muito!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Who you are

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Opinião sobre "Rainha Vermelha" (Rainha Vermelha #1) - Victoria Aveyard

Rainha Vermelha
(Rainha Vermelha #1)
(Artigo de Opinião)


Autora: Victoria Aveyard
Título Original: Red Queen (2015)
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
ISBN: 978-989-637-848-6
Nº de páginas: 352
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena? 

     O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
     Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

       Desde que saiu que "Rainha Vermelha" tem obtido críticas muito díspares: se uns amam, outros odeiam. Talvez por isso, fiquei com vontade de ler e perceber em qual dos pólos me encaixava, mas a verdade é que fiquei no meio: gostei da história, mas admito que nem tudo me satisfez. 

     Mare Barrow, uma jovem de 17 anos, vive num mundo com o qual não se identifica, pois a sociedade divide-se em duas classes bem distintas e imiscíveis, e que se evidenciam pela cor do sangue e pelos poderes que lhe são inerentes: os Vermelhos, a classe pobre e trabalhadora, forçada a servir os Prateados - o estrato superior, composto por pessoas poderosas que se fazem valer das suas capacidades e estatuto para explorar e oprimir os mais fracos. Descontente com o seu modo de vida, Mare é uma ladra exímia, que passa os seus dias a roubar bolsos alheios com o propósito de ajudar a família - atitude que não é particularmente bem recebida - e que vê aproximar-se o dia em que também ela, à semelhança do que já acontecera com os seus três irmãos mais velhos, será convocada para combater nas trincheiras.

      Tudo muda quando, numa noite de particular desespero, Mare se cruza com um estranho que acaba por lhe arranjar um trabalho no palácio de Verão da família real. Mas as reviravoltas na vida de Mare não acabam por aí! A trabalhar como serva no palácio, a jovem vê o seu destino mudar drasticamente quando, em frente às mais importantes Casas da corte Prateada, Mare descobre que há um poder em si que, enquanto Vermelha, não devia existir, e que lhe garantirá um lugar que nunca sonhou ocupar. E é nessas circunstâncias que a protagonista tem o primeiro contacto com a Guarda Escarlate: um grupo de Vermelhos cansados de viver sob as ordens dos Prateados, e que assumem como sua a luta pela igualdade.

       Num mundo novo e em que nem tudo é o que parece, Mare vê-se metida num rol de intrigas e mistérios, ao mesmo tempo que faz os possíveis por ajudar uma rebelião que se insurge em segredo. Quais são as verdadeiras intenções dos príncipes? Poderá Mare confiar naqueles que a rodeiam? Será o seu poder uma dádiva ou uma maldição?

     A história é narrada na primeira pessoa por Mare, uma rapariga que vive num mundo dividido em classes e que está disposta a sacrificar-se pelos que ama e pelos valores em que acredita. Agradou-me a sua intrepidez e a sua garra, mas nem sempre concordei com o seu modo de atuação. É de louvar a sua capacidade de enfrentar o perigo e a sua lealdade aos princípios que a regem, bem como a capacidade de não se deixar deslumbrar pelo novo meio de luxo e poder que a rodeia. Preferia que tivesse uma identidade mais marcante, mas gostei dela como protagonista.

    Gostei da forma como a autora desenvolveu os dois príncipes, Cal e Maven, e das circunstâncias que influenciam o modo de agir de cada um. Algo que me suscitou interesse foi constatar que ambos os príncipes, tendo uma relação tão cordial, tinham motivações tão opostas. Outra personagem digna de destaque é a rainha Elara, uma governante cruel e dissimulada que a autora explorou convenientemente, e que me despertou imenso a curiosidade.

     Este livro tem um triângulo amoroso pouco sólido, o que, sinceramente, não sei se me desagrada ou não. Na verdade, a componente amorosa não é a mais destacada neste livro, embora também esteja presente. Se, por um lado, gostei que a preocupação principal da autora não fosse o romance, por outro fiquei com a sensação de que houve uma falha neste campo, pois a protagonista acaba por gerar sentimentos - embora diferentes - pelos dois príncipes, mas é fácil perceber desde logo por qual dos dois bate mais forte o coração. Ou seja, apesar de a história apontar num certo sentido - e mesmo que, em determinado momento, surjam algumas dúvidas -, percebe-se à partida a direção que os acontecimentos vão tomar, o que torna tudo um pouco previsível. Preferia que a autora tivesse criado mais suspense e mais dúvida, para gerar realmente um efeito surpresa.

    Tendo "Rainha Vermelha" começado por ser uma ideia para um argumento, isso reflete-se na preocupação com as descrições e os detalhes, bem como na forma como são apresentados os pensamentos da protagonista, dando o conjunto uma experiência quase cinematográfica. A escrita da autora espelha isso mesmo e cativou-me, pois consegui visualizar perfeitamente os cenários e as ações das personagens, ainda que tenha apresenta algumas falhas no campo emocional. O início foi um pouco lento, pois há muita informação para apreender, mas, assim que assimilei as capacidades do Prateados, bem como as Casas da corte, e que percebi o modo como funcionava a sociedade, o ritmo da leitura aumentou imenso e comecei a sentir-me realmente viciada na história.

     Penso que a história peca por duas principais razões: em primeiro lugar, há momentos em que a previsibilidade acaba por tomar conta da história, embora, felizmente, esta ainda consiga surpreender num número razoável de aspetos; mas aquilo que me fez mais confusão foi mesmo o facto de, por diversas vezes durante a leitura, ter sentido que "Rainha Vermelha" era uma mescla de vários outros livros que já li. Tendo uma componente bastante distópica e uma sociedade estratificada, reconheço que, por vezes, se torna difícil inovar, sem seguir, inicialmente, a via quase padronizada das histórias do género. No entanto, esperava que a autora se tivesse distanciado mais dos enredos já conhecidos, pois é praticamente inevitável a comparação durante a leitura.

     As reviravoltas no final marcaram pela diferença e foram realmente um ponto de viragem no rumo da história. Espero que a autora as aproveite para se distanciar de alguns clichês, criando uma teia de acontecimentos mais original, uma vez que a história e as personagens têm ainda muito para desenvolver.

     "Rainha Vermelha" é uma história com personagens bem desenvolvidas, uma escrita envolvente e um ritmo acelerado, que consegue prender a atenção do leitor. Não é um livro perfeito e, na minha opinião, nem todos os aspetos foram desenvolvidos da melhor forma, mas ainda assim considero que esta foi uma boa leitura e gostei do livro. Espero que, nos próximos volumes, Victoria Aveyard opte por se afastar do curso da intriga e do estilo de outros livros do género, pois considero que há ainda muito potencial a explorar na história de Mare. 

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Look What You Made Me Do_Taylor Swift

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Opinião sobre "Bando de Corvos" (Os Outros #2) - Anne Bishop

Bando de Corvos
(Os Outros #2)
(Artigo de Opinião)


Autora: Anne Bishop
Título Original: Murder of Crows (2014)
Tradução: Luís Santos
ISBN: 978-989-637-920-9
Nº de páginas: 416
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

     Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

    Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais.

      A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

    À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.


       Em "Letras Escarlates" conhecemos Namid, um mundo partilhado por seres humanos e Outros: seres sobrenaturais e predatórios que controlam os recursos e que decidem a sobrevivência - ou não -dos humanos. Somos ainda apresentados a Meg Corbyn, uma Cassandra Sangue, e aos habitantes do Pátio de Lakeside - Outros que toleram a convivência com os humanos -, nomeadamente a Simon, o metamorfo responsável pela gestão do mesmo. Tendo adorado "Letras Escarlates" (podem ler a minha opinião aqui), temi que este livro ficasse aquém das minhas expetativas; no entanto, apesar de, na minha opinião, "Bando de Corvos" não ter conseguido superar o primeiro livro, também não desiludiu!

       Em Thaísia, Outros estão finalmente a perceber a origem das duas drogas que têm causado tantas mortes e que ameaçam o precário estado de paz com os humanos. Enquanto isso, a intuição de Meg Corbyn diz-lhe que algo de muito mau está para chegar, mas não consegue perceber se as visões dizem respeito ao passado ou ao futuro. 

     O movimento "Seres Humanos Em Primeiro Lugar" também não ajuda à manutenção da harmonia e a tensão gerada é grande, não prometendo acabar bem para nenhuma das partes. Entretanto, a polícia de Lakeside faz os possíveis por conter as ameaças: trabalhando com os Outros para garantir que os humanos não pisam demasiado o risco, passando do ponto do não retorno; e assegurando ao máximo a segurança de Meg, que está na mira do Controlador. 

    Com tantos perigos à espreita e novas revelações com que lidar, tudo parece demasiado instável e volúvel. Conseguirá evitar-se o despontar de uma guerra entre humanos e Outros? Conseguirá Meg não sucumbir à necessidade quase constante de se cortar e que lhe rouba um pouco de vida a cada ferimento? Que segredos esconde ainda o Pátio de Lakeside? E quem é e quais serão os objetivos do Controlador?

    Gostei de descobrir mais sobre as diversas espécies que habitam Namid, mas ainda assim acho que a autora poderia dar mais destaque a algumas personagens que considero particularmente enigmáticas, como Tess e as Elementais. Penso que Anne Bishop, por vezes, se dispersa nas descrições detalhadas das rotinas do quotidiano de algumas personagens - principalmente Meg e Simon -, em vez de se focar mais nas entidades misteriosas que o leitor não conhece tão bem. Para tal contribui o facto de ação deste livro decorrer num curto espaço de tempo, que acaba por não permitir uma exploração consistente de determinados aspetos sem que tudo pareça demasiado concentrado. Ainda assim, considero que a história só teria a ganhar se a autora nos contasse mais sobre os outros habitantes do Pátio.

    Agradou-me o facto de Anne Bishop ter introduzido na história novas personagens e locais de Thaísia, bem como mencionado o estado da situação de tensão entre humanos e Outros noutros continentes de Namid, pois senti que isso deu consistência e realismo ao enredo. A ação neste livro não é particularmente homogénea - há cenas em que parece apenas morna ou até estagnada, o que dificulta um pouco a leitura; e outras que prometem revolucionar toda a intriga. Esta desigual intensidade acaba por quebrar um pouco o ritmo e por tornar a leitura um pouco cansativa nas partes mais aborrecidas.

     Apreciei constatar a evolução de Simon e dos Outros no que toca ao trato com os seres humanos. Nota-se algum do à vontade que começa a transparecer entre eles e os humanos, que, para além da óbvia influência de Meg, é ainda em grande parte o produto do esforço feito pela polícia de Lakeside, que continua a assumir um papel fundamental na sobrevivência de ambas as partes - não só por tentar controlar os danos causados, como também por mostrar aos Outros que é seguro confiar em alguns humanos. Mas Simon é, realmente, a personagem que mais alterações sofreu. Achei engraçado comparar o Simon deste segundo volume ao Simon que a Meg conheceu quando chegou ao Pátio. Apesar de, já na altura, este apresentar uma mente bastante aberta - pelo menos quando comparada à maioria das dos Outros -, encontramos agora um ser quase humano, que consegue conviver respeitando minimamente as leis da sociedade e que tem também a preocupação de proteger os humanos com quem se preocupa, ao invés de ver a extinção da espécie como solução única.

     Já relativamente à Meg, esperava uma melhor adaptação ao mundo exterior. É certo que,por ter sido mantida tantos anos em cativeiro, ela é como uma criança que está a ter o primeiro contacto com o mundo real: extraordinariamente inocente. Ainda assim, pensei que já começasse a ter uma melhor noção das coisas e um comportamento mais adequado a uma jovem da sua idade, com mais consciência de quem é e do que a rodeia. Há ainda a questão de estar a aprender a controlar o seu instinto relativamente à necessidade de se cortar, e foi essa natureza quase primitiva que mais me seduziu na personagem neste segundo volume.

     Pensei que, neste livro, a relação entre a Meg e o Simon iria ter vários desenvolvimentos, mas tal acabou por não se verificar. Nota-se que há uma atração entre eles, mas que é encarada de uma forma muito inocente e com alguma reticência por parte de ambos. De facto, apesar de admitirem começar a sentir algo estranho um pelo outro, muito pouco é feito para que os sentimentos se desenvolvam. Apesar de, no primeiro volume, não ter sentido falta desta componente romântica, confesso que, agora, já esperava um pouco mais das personagens  relativamente a este campo. Ambos sentem um carinho especial que não sabem como processar, e isso, por vezes, acaba por ser frustrante não só para as personagens, mas também para o próprio leitor, que esperava uma relação que não se desenvolve.

     Senti a falta de um vilão mais presente e ameaçador, que agitasse um pouco a trama e trouxesse um clima mais tenso. Logo no início, vemos acontecerem alguns ataques aos Outros, nomeadamente aos do clã dos Corvos, e temos também, ao longo da narrativa, alguns capítulos com descrições mais violentas dos maus tratos infligidos às Cassandra Sangue. Todavia, apesar de alguns diálogos entre o Controlador e pessoas que querem comprar os serviços por ele oferecidos, a verdade é que não senti realmente um clima de ameaça proveniente dessa misteriosa figura, talvez pelo facto de as referências a ela serem tão escassas.

    "Bando de Corvos" é uma boa continuação para a história iniciada em "Letras Escarlates", fornecendo algumas das respostas pelas quais ansiávamos, mas colocando simultaneamente muitas novas questões. Foi bom reencontrar as personagens e ver o caminho que a intriga tomou, e, apesar de não ter visto desenvolvidos todos os aspetos que esperava, acho que o livro se conseguiu manter à altura das minhas expetativas. O final prendeu-me realmente e estou muito curiosa para ver como vão evoluir as coisas no próximo volume, "Visão de Prata". Gostei bastante!

Opinião sobre outros livros de Anne Bishop:

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: I Could Use a Love Song_Maren Morris

sábado, 26 de agosto de 2017

"Monstress" vence Hugo Award

A novela gráfica Monstress, da autoria de  Marjorie Liu e ilustrada por Sana Takeda, ganhou o prémio “Hugo Award”, na sua categoria.

Desde 1995 que este prémio é atribuído aos melhores, dentro de várias categorias, como livros de Ficção Científica, BD, Cinema e Séries, entre outros.


O Júri de atribuição do prémio é composto por membros do World Science Fiction Convention e tem lugar anualmente.


O prémio para melhor novela gráfica tem sido atribuído desde 2009, tendo sido arrecadado nos anos anteriores por obras como: Saga, Ms. Marveland Girl Genius e The Sandman: Overture que ganhou o ano passado. Entre os nomeados deste ano estavam: Saga, Paper Girls, Black Panther, Ms. Marvel and The Vision.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

#66 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "O Contágio" - Saída de Emergência

E chegou a vez do resultado do passatempo realizado em parceria com a Saída de Emergência. É com grande satisfação que venho anunciar o vencedor do sorteio de um exemplar de "O Contágio", de Megan Abbott.




Este sorteio contou com 251 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...200! Que corresponde à participação de Elsa (...) Martins, de Sobreda.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Divulgação: "Bando de Corvos" (Os Outros #2) - Saída de Emergência

 Publicado pela Saída de Emergência

Bando de Corvos
(Os Outros #2)



De Anne Bishop

Sinopse:

     Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

Depois de conquistar a confiança dos Outros que habitam Lakeside, Meg Corbyn teve alguma dificuldade em perceber o que significa viver entre eles. Como humana, Meg deveria apenas ser tolerada como presa, mas os seus dons como cassandra sangue tornam-na algo mais.

A aparição de duas drogas aditivas foi a faísca que desencadeou a violência entre os humanos e os Outros, resultando em mortes para ambas as espécies nas cidades limítrofes. Quando Meg tem um sonho sobre sangue e penas negras na neve, Simon Wolfgard – o líder metamorfo de Lakeside – pergunta-se se a profetisa de sangue sonhou com o passado ou uma ameaça futura.

À medida que as profecias se revelam a Meg, cada vez mais intensas e dolorosas, as intrigas adensam-se em Lakeside. Agora, os Outros e o punhado de humanos que aí residem terão de reunir forças para parar o homem que se assume como o verdadeiro profeta de sangue – e extinguir o perigo que ameaça destruir todos os clãs.

Segundo livro da série Os Outros


    Anne Bishop vive em Upstate New York onde gosta de passar o tempo a jardinar, ouvir música e a criar mundos de grande imaginação. É autora de vários romances, incluindo a premiada Saga das Jóias Negras, bem como o Mundo Efémera e Trilogia dos Pilares do Mundo.



Opinião da Imprensa:

"Bando de Corvos não é só o melhor livro de fantasia do ano, é provavelmente um dos melhores de sempre."_All Things Urban Fantasy

"Os mundos criados por Bishop são tão tridimensionais e completos que nos saltam das páginas... Exótico, original, sensual."_Fresh Fiction

"Uma história incrivelmente original, profundamente imaginativa, maravilhosamente articulada e que se apresenta numa prosa clara, cristalina e vibrante."_Kirkus, Starred Review

"Não há nada que se assemelhe. Tornou-se uma autora incontornável."_Chicago Tribune