Mostrar mensagens com a etiqueta Suma de Letras Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Suma de Letras Portugal. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Opinião sobre "Confissões" - Kanae Minato

Confissões
(Artigo de Opinião)


Autora: Kanae Minato
Título Original: Kokuhaku (2008)
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 978-989-665-106-0
Nº de páginas: 216
Editora: Suma de Letras Portugal


Sinopse


Os alunos assassinaram-lhe a filha.
Esta é a sua vingança.

     Depois de um noivado que acaba em tragédia, tudo o que resta a Yuko Moriguchi é a sua filha, de quatro anos, Manami. Quando esta é encontrada afogada nas piscina da escola, Yuko decide aposentar-se. Mas, antes, deve dar uma última lição.

     Um mês depois do sucedido, a professora Moriguchi, no discurso de despedida à sua turma, acusa dois alunos de lhe terem matado a filha e anuncia a sua vingança pessoal, atroz e imediata, mas concebida de modo a que as devastadoras consequências ocorram lentamente, para que os jovens tenham tempo de se arrepender e passar o resto dos seus dias suportando o peso da culpa.

     Confissões é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído, onde o suspense é mantido até ao fim, quando as diferentes peças se encaixam. Mas é também uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Suma de Letras pelo gentil envio do livro.

     "Confissões" foi a minha estreia com uma autora japonesa, e devo confessar que fiquei agradavelmente surpreendida com a sua capacidade de agarrar o leitor, transformando uma história aparentemente banal numa lancinante narrativa sobre vingança, dor, inocência, motivações, justiça, frivolidade e, acima de tudo, sobre desumanidade.

    Tudo começa com o último dia de aulas antes das férias. Os alunos da professora Yuko Moriguchi estão ansiosos para saírem dali e começarem a gozar oficialmente o descanso merecido, mas a professora ainda tem mais uma história a contar: a história de como a sua filha Manami, uma menina de apenas 4 anos, morreu. Ou, melhor, foi morta, por dois dos alunos presentes naquela sala, o A e o B. 

   Mas os acontecimentos macabros não terminam por aí. Na verdade, acabaram apenas de começar. Revoltada com a maldade dos alunos, Yuko preparou uma vingança fria e calculada para provocar o maior dano psicológico possível, e que vai, aos poucos, destruindo os seus alvos.

    Poder-se-ia pensar, agora, que o leitor já tem em sua posse todas as informações necessárias para julgar e condenar a atitude desta professora e destes alunos. Dois alunos assustados e uma professora cega pela dor. Mas a verdade... a verdade vai muito além disso e, à medida que se acompanha a destruição de A e B através do relato de várias personagens, vamos tendo uma visão mais clara das personalidades e das razões que deram origem e motivaram as atitudes de cada um. 

   Esta é uma história que tem lugar no Japão, onde existe uma cultura diferente em relação a diversos aspetos, nomeadamente o sistema de ensino, onde é exigido ao professor que desempenhe um papel de quase tutor, libertando os progenitores da maior parte do seu dever parental. Logo aqui, há um confronto de ideias que, aliado à manipulação exercida pelos alunos sobre os professores e à alienação parental, pode chocar. Porém, apesar de este ser um thriller bastante duro, a  violência retratada neste livro pertence ao campo do psicológico, uma vez que são poucas as cenas que envolvem efetivamente brutalidade física. 

   As personagens deste livro são todas bastante frívolas, motivo pelo qual não consegui sentir particular empatia por nenhuma delas. Claro que me compadeci com a dor e o arrependimento de algumas, bem como me revoltei com as atitudes mesquinhas de outras, mas não houve nenhuma que me tocasse especialmente, talvez por neste livro o importante ser a história que une todas as personagens, e não as pessoas em si.

    A escrita deste livro é fantástica! Apesar de inicialmente parecer um pouco estranho, Kanae entrelaça as visões de várias personagens de forma genial, proporcionando ao leitor a oportunidade de analisar os acontecimentos sob múltiplas perspetivas. Temos capítulos da professora, familiares, colegas e dos próprios alunos em questão, sendo que são apresentados pela ordem perfeita para causar o maior impacto no leitor, e todos têm algo de valioso a contar. A opinião que formamos sobre cada personagem vai-se alterando à medida que nos vamos afundando nesta narrativa tétrica e bizarra. Adorei a forma como a autora teceu a história, brincando com o leitor ao fazê-lo pensar ser já detentor de toda a verdade, para depois lhe mostrar que nem tudo é o que parece e que a natureza humana pode surpreender pelos piores motivos.

    "Confissões" é uma procissão de relatos intensos e crus, que vão esclarecendo e dando forma a uma história macabra e brutal. Esta é uma trama densa e negra, que cativa do princípio ao fim, e que expõe a crueldade humana no seu expoente máximo, mas também apresenta o caminho que lhe dá origem. Este é um daqueles thrillers magistrais que acompanham o leitor por muito tempo! 


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Do You No Wrong_Richie Campbell

segunda-feira, 6 de março de 2017

Opinião sobre "Anna e o Homem Andorinha" - Gavriel Savit

Anna e o Homem Andorinha
(Artigo de Opinião)



Autor: Gavriel Savit
Título Original: Anna and the Swallow Man (2017)
Tradução: Ester Cortegano
ISBN: 978-989-665-190-9
Nº de páginas: 224
Editora: Suma de Letras


Sinopse


    Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia. 

   Cracóvia, 1939. Um milhão de soldados marcham e mil cães ladram. Este não é um lugar para crescer. 

    Anna tem apenas sete anos no dia em que o alemães levaram o seu pai, professor de Linguística,, durante a purga de intelectuais na Polónia. Está sozinha quando encontra o Homem-Andorinha, um astuto trapaceiro, alto e estranho, com mais de um ás na manga; um impostor que consegue até que os soldados com quem se cruza só vejam aquilo que ele quer que vejam. 

   O Homem-Andorinha não é o pai de Anna - ela sabe-o bem -, mas também sabe que, como o seu pai, está em perigo e, tambémc omo o seu pai, tem o dom das línguas: fala russo, polaco, alemão iídiche e a linguagem dos pássaros. Quando o misterioso indivíduo consegue que uma bela andorinha lhe pouse na mão para que Anna deixe de chorar, a menina fica encantada. E decide segui-lo até onde ele for. 

   Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos. Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo. Também o Homem-Andorinha.

   Destinado a converter-se num clássico, Anna e o Homem-Andorinha revela as mais duras lições de vida, ao mesmo tempo que celebra as suas mais extraordinárias possibilidades.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera

Opinião

      Começo por agradecer à Suma de Letras pelo gentil envio do livro.
     

      "Anna e o Homem Andorinha", livro de estreia de Gavriel Savit, que, tendo como palco o horrível cenário da 2ª Guerra Mundial, com a invasão da Polónia, narra o desenrolar de um conflito bárbaro através de uma menina abandonada e do homem que a guiará por uma terra a ruir.

      Conhecemos Anna Lania, uma criança de sete anos, na manhã em que esta, como muitas outras, vê o seu pai partir e não regressar. Primeiramente ao cuidado de um amigo, Anna, no seu espírito inocente, tenta encontrar múltiplas explicações que justifiquem a ausência do progenitor. Mas a guerra é um tempo de incerteza, e rapidamente Anna se vê sozinha, com fome e com medo.

      Mas como a vida nos tem sempre surpresas reservadas, Anna conhece o Homem Andorinha, uma personagem misteriosa sobre a qual pouco se sabe e que, entre inúmeras outras qualidades, tem a habilidade de comunicar com os pássaros. Começa assim uma aventura perigosa e uma jornada pela subsistência pelos campos, florestas e pântanos de uma Polónia fria e cinzenta, um lugar onde a esperança já não mora. E é o Homem-Andorinha que, de uma forma algo encriptada, vai ensinando a Anna preciosas lições que lhes permitirão manter-se vivos. 

      O tempo passa e Anna vai crescendo e descobrindo mais sobre si própria e sobre o que a rodeia. A perda da inocência que tão bem a caracterizava vai-se dando gradualmente, à medida que chega a consciência dos horrores com que é obrigada a conviver nesta Polónia tomada pela destruição e pela desumanidade.

     O livro é narrado na terceira pessoa, mas vemos a história através dos olhos inocentes de uma criança. O autor dá-nos a possibilidade de experienciarmos um conflito histórico de tamanha dimensão no campo de batalha das pessoas comuns, que se veem sem nada, obrigadas a fugir e que tentam a todo o custo manter-se vivas. Savit relata-nos pormenores em que só uma criança pode reparar, e dá-nos peças soltas que só o leitor pode juntar. E é neste jogo subentendido que vamos depreendendo o panorama geral da obra e as verdades escondidas por detrás das personagens.

     Quando conhecemos Anna, ela ainda é apenas uma menina inocente e bondosa, mas, ainda assim, extremamente inteligente e com um poder de compreensão surpreendente para a sua idade. Vulnerável e exposta a uma guerra que não entende, Anna sente-se perdida e insegura até conhecer o Homem Andorinha, o seu protetor e guia. Começa a nutrir por esta personagem, então, uma fusão de sentimentos de adoração, encanto, deslumbramento, mas também algum receio. Porém, Anna é caracterizada pela evolução e, ao crescer, a aura quase mágica que envolvia o Homem Andorinha vai-se desvanecendo, dando lugar a uma visão mais clara, lúcida e humana.

    O Homem Andorinha é uma personagem que cativa pelo lado misterioso e pelo seu jeito ímpar com as palavras. Percebemos desde início que é uma situação nova e algo desconfortável lidar com Anna e com a sua falta de perceção sobre os acontecimentos que se vivem na época, mas isso não o faz abandoná-la. O que começa por ser uma relação quase simbiótica pela sobrevivência, acaba por tornar-se numa amizade singular, mas certamente única. Numa segunda fase da história, encontramos algumas pistas sobre o passado do Homem Andorinha que quase podem passar despercebidas. Durante a leitura, sentia que nunca conseguia saber tanto quanto desejava sobre esta personagem e sobre as suas intenções, mas depressa percebi que era este seu lado místico que seduzia e prendia a atenção, aguçando ainda mais a avidez com que desvendava a sua história.

    A escrita de Savit é simplesmente especial: as palavras são suaves, doces e bonitas, contrastantes com a sobriedade do tema, mas condizentes com a inocência e a doçura de Anna. O autor aproveita a ingenuidade da protagonista para nos fazer refletir sobre variados e pertinentes temas, cuja complexidade e abordagem vão evoluindo com o avançar da idade.

      Confesso que, mais ou menos a meio da leitura, dei por mim a questionar-me sobre qual o destino que o autor iria oferecer às personagens no final do livro - depois de uma trama intensa feita de constante luta e ameaças -, e a verdade é que, apesar de inicialmente ter ficado algo surpresa, gostei da nota de esperança que fica e da crença num futuro melhor.

      "Anna e o Homem Andorinha" toca pela história que conta e pela forma como a história é contada. Ao contrário do que se poderia esperar tendo em conta o cenário retratado, esta é uma narrativa bela e envolvente, que nos prende a esta menina e que, juntamente com o misterioso Homem-Andorinha, nos faz querer levá-la de mão dada para um lugar seguro e feliz. Diria que, tal como o Homem Andorinha, Gavriel Savit tem um talento natural com as palavras. Este é, sem dúvida, um daqueles livros em que, pelo tanto que nos diz, é impossível descrever em palavras o que nos faz sentir. Recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: So Cold_Ben Cocks

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Novidades da Nuvem de Tinta, Suma de Letras e Objectiva para Março

"O Universo nos Teus Olhos", de Jennifer Niven

Libby Strout, outrora a rapariga mais gorda da América, conseguiu finalmente ultrapassar o desgosto causado pela morte da mãe e está pronta para voltar a viver. Transformou-se e o que mais deseja é ser a rapariga que consegue ser tudo o que quer. No entanto, o resto do liceu não parece partilhar deste entusiasmo de Libby.

Jack Masselin é o típico rapaz popular do liceu: bonito, sempre com o comentário certo na hora certa. No entanto, o gosto que tem em perceber a mecânica dos objetos, em reconstruir e transformar tudo o que encontra, não lhe serve de muito na sua incapacidade para reconhecer caras. Jack tem prosopagnosia e à sua volta, familiares e amigos incluídos, parecem-lhe desconhecidos e são, para ele, um autêntico quebra-cabeças.

Quando o destino junta Libby e Jack, a solidão que cada um sente dá lugar a sentimentos muito diferentes… Uma história de superação e de um amor verdadeiro e invulgar que nos devolve a esperança no mundo, em nós e no outro.

"A Substância do Mal", de Luca D'Andrea
   Jeremiah Salinger, um jovem guionista de televisão de Nova Iorque, muda-se com a mulher, Annelise, para Siebenhoch, uma calma comunidade isolada nas montanhas do Sul do Tirol, onde ela cresceu. Com eles, também, a filha, a precoce Clara, de cinco anos.


Fascinado pelas montanhas e pelas pessoas que ali vivem, Salinger começa a fazer um documentário sobre resgates na montanha. Mas, durante as filmagens, envolve-se num acidente assustador. Enquanto tenta esquecer a sua experiência traumática, descobre, por acaso, um facto sangrento que remonta há trinta anos: o massacre de três jovens ocorrido durante uma caminhada no desfiladeiro Bletterbach. O crime não tem um culpado e, na aldeia, ninguém quer falar sobre o assunto. Talvez porque, só de pensarem no sucedido, poderiam ressuscitar o horror ou então por serem tantos os que têm algo a esconder...

Apesar da crescente hostilidade que o rodeia, e da oposição de Annelise, Salinger começa a remexer no passado, penetrando cada vez mais profundamente no misterioso assassinato. Até descobrir a imprevisível e aterradora verdade.

"A Mãe Eterna", de Betty Milan
A filha está cansada de ver a mãe definhar, esgotada. Aos 98 anos, com a saúde debilitada, a mãe mal ouve e quase não vê. A filha, que se vê no papel de mãe da própria mãe, questiona os médicos, as religiões, tudo. Para quê manter vivo alguém que já não vive?

Num relato comovente, em forma de diário, a filha descreve as peripécias do dia-a-dia com a mãe; ao mesmo tempo, este diário é um escape, um desabafo e um apelo à mãe — a mãe imaginária, a que tinha e já não tem, a que lhe lia, que a escutava e acalentava. A mãe que fazia o papel de mãe.

Um livro forte, uma reflexão gritante de tão actual, A Mãe Eterna apresenta-nos um dilema que mói a alma e nos faz questionar a vida, a morte e a relação mãe-filha.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

#55 - Resultado do Passatempo: "O Diário Secreto de Laura Palmer" - Suma de Letras

É com grande satisfação que publico o resultado do passatempo de Natal realizado em parceria com a Suma de Letras - o sorteio de um exemplar de "O Diário Secreto de Laura Palmer", de Jennifer Lynch (podem ler a minha opinião sobre o livro aqui).



Este sorteio contou com 172 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  


...49! Que corresponde à participação de Ana (...) Mansilhas, de Vila Nova de Famalicão.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Novidade da Suma de Letras - "Anna e o Homem-Andorinha"

Novidade da Suma de Letras Portugal 

Anna e o Homem Andorinha




De Gavriel Savit



Sinopse:


    Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia. 

   Cracóvia, 1939. Um milhão de soldados marcham e mil cães ladram. Este não é um lugar para crescer. 

    Anna tem apenas sete anos no dia em que o alemães levaram o seu pai, professor de Linguística,, durante a purga de intelectuais na Polónia. Está sozinha quando encontra o Homem-Andorinha, um astuto trapaceiro, alto e estranho, com mais de um ás na manga; um impostor que consegue até que os soldados com quem se cruza só vejam aquilo que ele quer que vejam. 

   O Homem-Andorinha não é o pai de Anna - ela sabe-o bem -, mas também sabe que, como o seu pai, está em perigo e, tambémc omo o seu pai, tem o dom das línguas: fala russo, polaco, alemão iídiche e a linguagem dos pássaros. Quando o misterioso indivíduo consegue que uma bela andorinha lhe pouse na mão para que Anna deixe de chorar, a menina fica encantada. E decide segui-lo até onde ele for. 

   Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos. Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo. Também o Homem-Andorinha.

   Destinado a converter-se num clássico, Anna e o Homem-Andorinha revela as mais duras lições de vida, ao mesmo tempo que celebra as suas mais extraordinárias possibilidades.

Uma menina abandonada na noite da História.
Um homem misterioso com um talento especial para as palavras.
Uma viagem incrível.
Uma amizade acima de tudo.

     Gavriel Savit é escritor, actor e cantor e vive em Brooklyn.

     Anna e o Homem-Andorinha, o seu romance de estreia, foi um sucesso internacional.

     Vendido para mais de 13 países, foi muito bem recebido, tanto pela crítica como pelo público.

Opinião da Imprensa:

"Este romance profundamente comovente une, de forma magistral, a doçura infantil com o fundo cruel e inumano da Segunda guerra Mundial."_Publishers Weekly 

"Um primeiro romance brilhante. Um contador de histórias magistral."_The New York Times

"Uma história comovente e intrigante sobre a perda da inocência perante a tragédia."_Booklist

"Arrepiante e, ao mesmo tempo, terno."_People Magazine

"Brilhante, original, perspicaz."_Kirkus Reviews

"Excelente."_The Wall Street Journal

"Escrito com uma subtileza extraordinária, com uma estrutura inteligente e uma linguagem deliciosa, Anna e o Homem-Andorinha é uma leitura absorvente, emocionante e que convida à reflexão."_The Guardian

"Uma obra assombrosamente brilhante sobre a guerra, a sobrevivência e a humanidade. Remete-nos imediatamente para A Rapariga Que Roubava Livros e O Rapaz do Pijama às Riscas, com todo o potencial que estas comparações sugerem."_The Bookseller

"Tensa, emocionante, original e habilidosa. Esta escrita admirável cativará leitores sofisticados."_Sunday Times



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Novidade da Suma de Letras - "O Homem Ausente" (Sebastian Bergman #3)

Novidade da Suma de Letras Portugal 

O Homem Ausente
(Sebastian Bergman #3)



De Hjorth & Rosenfeldt
Um thriller Sebastian Bergman


Sinopse:

      Na ladeira das montanhas de Jämtland, na Suécia, seis corpos são encontrados. Mais precisamente, seis esqueletos. Dois deles de crianças. Os corpos foram enterrados há muito tempo. Para Sebastian Bergman, que viaja para o local do crime com o resto da equipa do Departamento de Investigação Criminal, estes factos só tornam ainda mais complexa a investigação sobre quem são, quem os matou e porquê.
   
     No início, Sebastian vê o caso como uma oportunidade de escapar da ex-namorada e passar algum tempo com a filha, Vanja. Uma oportunidade para tentar construir uma relação com ela antes que seja tarde demais.

     Mas rapidamente descobre que está mais envolvido no caso do que gostaria de estar.

A série policial nórdica de maior sucesso internacional

     Michael Hjorth nasceu em 1963 em Visby. Sempre amou filmes e livros e é hoje um dos guionistas e produtores mais talentosos da Escandinávia. É um dos fundadores da produtora de sucesso Tre Vänner, responsável pela primeira comédia de grande sucesso da Suécia, assim como por alguns dos guiões da série Wallander de Hening Mankell.

    Hans Rosenfeldt nasceu em 1964 em Boräs. Trabalhou como tratador de leões-marinhos, motorista, professor e actor até 1992, quando começou a escrever para a televisão. Escreveu guiões para mais de vinte séries e já foi apresentador de programas de rádio e televisão. É o criador da série sueca de maior sucesso - a premiada série policial Bron («The Bridge»), reproduzida em mais de 170 países e com remakes nos Estados Unidos, com o mesmo nome, e em França («The Tunnel»).



Opinião da Imprensa:

"O Homem Ausente é mais um brilhante caso da série Sebastian Bergman, cuja personagem principal é uma criação brilhante, não exibindo nenhuma das caracterísiticas redentoras que esperávamos, nem mesmo do investigador nórdico mais deprimido; (...). Este é um romance complexo e convicente que convida comparações com a trilogia "Millennium", de Stieg Larsson."_Sunday Times (Reino Unido)





domingo, 25 de dezembro de 2016

#55 - Passatempo Especial de Natal: "O Diário Secreto de Laura Palmer" - Suma de Letras

    E como o Natal é tempo de dar presentes... aqui vai mais um livrinho! Em parceria com a Suma de Letras, o sorteio de um exemplar de "O Diário Secreto de Laura Palmer", de Jennifer Lynch (podem ler a minha opinião sobre o livro aqui).



Para que se possa habilitar a ganhar este livro que temos para oferecer, apenas tem de:

- Fazer gosto na página da Suma de Letras no Facebook (aqui);
- Fazer gosto na página da Chiado Objectiva  no Facebook (aqui);
- Fazer gosto na página do Dream Pages no Facebook, aqui;
- Seguir publicamente o blogue;

- Seguir o blogue no Instagram (aqui) dá uma entrada extra;
- Partilhar publicamente o passatempo dá uma entrada extra;
- Seguir o perfil do blogue no Goodreads (aqui) dá uma entrada extra;

- Só participar uma vez (se não cumprir esta regra, a sua participação será anulada);
- Preencher todos os dados corretamente e acertar na pergunta colocada (pode encontrar a resposta aqui).

Agora é só participar!

O passatempo termina no dia 07 de janeiro às 23h59. As participações após esta data não serão válidas.



Notas:
- O passatempo é feito em parceria com a Suma de Letras;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente através do site random.org;
- O vencedor será contactado por e-mail e será anunciado no blogue e na página do Facebook;
- Este passatempo só é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue e a Suma de Letras não se responsabilizam pelo possível extravio do prémio nos correios.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Opinião sobre "Matéria Escura" - Blake Crouch

Matéria Escura
(Artigo de Opinião)



Autor: Blake Crouch
Título Original: Dark Matter (2015)
Tradução: Margarida Filipe
ISBN: 978-989-665-134-3
Nº de páginas: 424
Editora: Suma de Letras


Sinopse


      «Estás feliz com a tua vida?»

     Estas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de cair inconsciente, derrubado por um sequestrador disfarçado. Antes de acordar amarrado a uma maca, rodeado por estranhos. Antes de um homem que ele não conhece lhe sorrir e dizer: «Bem vindo de volta, Jason!»

     Neste mundo em que acordou, a vida de Jason não é a que ele conhece. A sua mulher não é a sua mulher. O seu filho não terá nascido. E ele não é um professor de Física numa faculdade medíocre, mas um génio reconhecido que foi capaz de algo notável, algo que se acreditava impossível.

     É este o mundo real ou será um sonho? E, mesmo que na casa da qual se lembra seja real, como podem Jason voltar para a família que tanto ama? As respostas encontram-se numa viagem maravilhosa e mais assustadora do que ele poderia imaginar, uma viagem que o vai forçar a enfrentar o mais obscuro de si mesmo, ao mesmo tempo que luta contra um inimigo terrível, aparentemente imbatível.

     Matéria Escura é um thriller com um argumento brilhante, ao mesmo tempo universal e íntimo, complexo, estranho e profundamente humano. Um livro implacavelmente surpreendente sobre opções, caminhos não escolhidos e sobre quão longe somos capazes de ir para reivindicar a vida com que sonhamos.


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à  Suma de Letras pelo gentil envio do livro.

     "Matéria Escura" é tão incrível e ímpar de tantas diferentes maneiras, que se torna difícil exprimir o quanto gostei deste livro utilizando apenas palavras. Se já tinha adorado a trilogia Wayward Pines, a única coisa que posso dizer é que este livro superou todas e quaisquer expetativas que depositava nele. É tudo o que promete e muito mais!

      Jason Dessen é um homem com uma vida pacata. É casado com a mulher que ama, tem um filho adolescente de quem se orgulha, é licenciado em Física e dá aulas de Mecânica Quântica numa pequena universidade perto de casa. Julga ter tudo o que precisa para ser feliz na família que tanto ama, mas tal não o impede de se questionar sobre como seria a sua vida se tivesse enveredado por outro caminho, se tivesse explorado todo o seu potencial.

    Até que, numa noite, tudo muda, e Jason dá por si num lugar onde tudo o que conhece está errado. A sua mulher não é a sua mulher e o seu filho não nasceu. Os seus pilares não existem e ele está completamente só num mundo que não é o seu, num mundo onde acreditam que fez algo egrégio, algo tão extraordinário que pode revolucionar a vida como a conhecemos.

    Como seria se nos víssemos presos numa realidade que não é a nossa, quando todos - até nós próprios - duvidam da nossa sanidade mental? Como lidaríamos com o mundo, se tudo o que conhecemos desaparecesse? Estas são apenas algumas das muitas questões que este livro fabuloso levanta.

    Por certo, o leitor concordará comigo se disser que, por vezes, perdemos demasiado tempo a esmiuçar as possibilidades da vida. Quantas vezes nos questionamos sobre os rumos que a nossa vida poderia ter tomado, caso não tivéssemos feito certas escolhas? Quantas vezes damos por nós a ponderar sobre o que poderia ter acontecido se decidíssemos tomar uma direção diferente? Este é um livro sobre caminhos não seguidos, sobre possibilidades infindáveis. Mas é também um livro que nos faz compreender que, por vezes, estamos no mundo certo, mesmo que não o saibamos.

     Já tinha saudades da escrita de Blake Crouch! Todos os cenários e sensações são descritos de forma tão vívida que conseguimos verdadeiramente experienciar o desespero de nos vermos numa posição semelhante à de Jason: a confusão, o desatino, a necessidade de reaver os que se ama. O autor consegue inspirar no leitor momentos de grande tensão, manipulando-o de um modo inteligente e sagaz. Além disso, aborda diversos conceitos e teorias da física e da mecânica quântica de um modo extremamente fácil de compreender. Adorei a forma como transformou princípios tão complexos em algo tão simples e apelativo. Tudo neste livro se encaixa, como se estivéssemos a recolher peças de um puzzle gigante, e precisássemos de experimentar várias ideias antes de a peça se ajustar.

    "Matéria Escura" conduz-nos por reflexões profundas e intrincadas e mostra-nos o quão fácil  se torna sacrificar os princípios éticos no contexto científico. É impossível acompanharmos a leitura e não ponderarmos o que faríamos se estivéssemos numa posição tão insólita como a de Jason. Porém, este é um livro que oferece mais perguntas do que respostas, mas também nos faz ver que, mais importante que a obtenção de respostas, é a capacidade de nos questionarmos.

    Este é um daqueles livros que permanecem na nossa mente, mesmo depois de a leitura terminar. Creio poder afirmar, e com segurança, que este é um dos livros que ficará comigo, não apenas por ser original e singular, mas por todas as sensações que me provocou e por todas as dúvidas que insurgiu em mim durante a leitura. E, no final, fica a eterna questão: meu caro e estimado leitor, está feliz com a sua vida?

     Com "Matéria Escura", Blake Crouch consagrou-se como um meus escritores preferidos. Durante a leitura, só conseguia pensar que estava a ler um livro simplesmente genial! A forma como Crouch mantém o suspense, jogando com o leitor a todo o momento, fazendo-o acreditar que descobriu, finalmente, a verdade, para depois lhe mostrar apenas que estava completamente errado, é puramente fantástica! "Matéria Escura" foi não só um dos melhores livros que li este ano, mas também um dos melhores livros que li na vida. Recomendo sem reservas!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Say You Won't Let Go_James Arthur

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Novidade da Suma de Letras - "Matéria Escura"

Novidade da Suma de Letras Portugal 

Matéria Escura




De Blake Crouch



Sinopse:


    «Estás feliz com a tua vida?»

     Estas são as últimas palavras que Jason Dressen ouve antes de cair inconsciente, derrubado por um sequestrador disfarçado. Antes de acordar amarrado a uma maca, rodeado por estranhos. Antes de um homem que ele não conhece lhe sorrir e dizer: «Bem vindo de volta, Jason!»

     Neste mundo em que acordou, a vida de Jason não é a que ele conhece. A sua mulher não é a sua mulher. O seu filho não terá nascido. E ele não é um professor de Física numa faculdade medíocre, mas um génio reconhecido que foi capaz de algo notável, algo que se acreditava impossível.

     É este o mundo real ou será um sonho? E, mesmo que na casa da qual se lembra seja real, como podem Jason voltar para a família que tanto ama? As respostas encontram-se numa viagem maravilhosa e mais assustadora do que ele poderia imaginar, uma viagem que o vai forçar a enfrentar o mais obscuro de si mesmo, ao mesmo tempo que luta contra um inimigo terrível, aparentemente imbatível.

     Matéria Escura é um thriller com um argumento brilhante, ao mesmo tempo universal e íntimo, complexo, estranho e profundamente humano. Um livro implacavelmente surpreendente sobre opções, caminhos não escolhidos e sobre quão longe somos capazes de ir para reivindicar a vida com que sonhamos.

Estás feliz com a tua vida?

     Blake Crouch é uma das novas estrelas do thriller americano, nasceu na Carolina do Norte em 1978. Licenciou-se em Inglês e Escrita Criativa e, cinco anos depois, já tinha dois romances publicados. Desde então publicou mais oito romances, além de novelas, contos e artigos.

      A trilogia Wayward Pines, o seu maior sucesso internacional até ao momento, vendeu mais de um milhão de exemplares, foi publicada em 25 países e deu origem à série de sucesso do canal Fox.

     Matéria Escura, o seu último romance, também vai ser adaptado para o grande ecrã.


Opinião da Imprensa:

"Excelente caracterização e tensão magistral... O empolgante final vai deixar os leitores a pensar."_Publishers Weekly 

"Cheio de suspense, assustador, mas também emotivo."_Kirkus

"Crouch mantém o ritmo rápido e reviravoltas emocionantes. Os leitores vão devorar este thriller."_Booklist

"Uma mistura alucinante e magistral de ficção científica, suspense e histórias de amor."_Entertainment Weekly

"Uma história impecável... Faz as suas personagens - e os leitores - questionarem o que a vida teria sido se tivessem tomado decisões diferentes. Relevante e assustador."_USA Today

"Coloca questões e aborda ansiedades com as quais todos nós lutamos nas horas escuras... Crouch consegue a mistura perfeita de plausabilidade científica e profundidade emocional."_Wall Street Journal

"Pode ser o thriller mais empolgante e viciante que vai ler este ano, com um final inteligente e desconcertante."_The Guardian

"Brilhante. Um livro para recordar. Acho que Blake Crouch acaba de inventar algo novo."_Lee Child

"Uma obra de suspense magistral e realmente original. crouch oferece uma prosa precisa, uma trama trama que mistura ficção científica e suspense de forma brilhante, e uma história de amor comovente, tecida de uma maneira surpreendente."_Harlan Coben



Novidade da Suma de Letras - "O Crente"

 Novidade da Suma de Letras Portugal 
   

O Crente




De Joakin Zander



Sinopse:


    Yasmine Ajam trocou o seu passado num problemático bairro de Estocolmo por uma carreira ascendente em Nova Iorque. Até que recebe a notícia de que os motins que agitam os subúrbios da sua cidade natal podem estar relacionados com o desaparecimento do seu irmão Fadi, que foi dado como morto ao lutar ao lado do Estado Islâmico na Síria.

     Em Londres, Klara Walldéen trabalha na elaboração de um relatório para a União Europeia. Mas, depois do roubo do seu computador e da morte suspeita de um dos seus colegas, Klara começa a perceber que pode estar na mira de uma trama internacional muito perigosa.

     Os caminhos de Yasmine e Klara cruzam-se num sufocante mês de Agosto em Estocolmo, ao mesmo tempo que a imagem aterradora de uma sociedade sem consciência emerge, uma sociedade onde os poderosos estão dispostos a caminhar sobre cadáveres para atingirem os seus objectivos.

Traição
Vingança
Redenção

Para salvar o irmão, ela terá
de enfrentar o seu passado

     Joakin Zander nasceu em 1975 em Estocolmo, Suécia. Vive em Lund com a família. Trabalhou em Helsínquia e Bruxelas para instituições da União Europeia. Viveu anteriormente nos Estados Unidos e no Médio Oriente.

    Zander obteve sucesso internacional com o seu primeiro romance, O Nadador, que foi publicado em 30 países. É reconhecido por misturar de forma magistral uma linguagem poética, suspense e a perspectiva de alguém que conhece muito bem os bastidores dos jogos políticos.

    O Crente, o seu segundo romance, foi nomeado para o prémio de melhor thriller sueco do ano.

Opinião da Imprensa:

"Depois de Stig Larsson, Hening Mankell e Jens Lapidus, surge uma fantástica nova voz no thriller nórdico: Joakin Zander."_Metro

"Um thriller com rara ambição e plenitude."_Daily Mail

"Muito actual e emocionante."_Literary Review

"Zander é um novo talento na crescente corrente do crime nórdico."_Booklist




segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Opinião sobre "Cartas Por Um Sonho" - Ángeles Doñate

Cartas Por Um Sonho
(Artigo de Opinião)


Autora: Ángeles Doñate
Título Original: El invierno que tomamos cartas en el asunto (2015)
Tradução: São Amaral
ISBN: 978-989-665-101-5
Nº de páginas: 376
Editora: Suma de Letras


Sinopse


     O Inverno chega a Porvenir e traz com ele uma má notícia: vão fechar a estação de correios e transferir os funcionários para a cidade. Quem necessita de um carteiro num mundo onde já não se escrevem cartas? A comunicação virtual também ganhou a batalha nas montanhas.

     Sara, a única carteira da aldeia, mora em Porvenir com os seus três filhos pequenos. Partilha muitas horas com a sua vizinha Rosa, uma mulher de oitenta anos que estaria disposta a fazer qualquer coisa para evitar que Sara e os filhos sofram.

    Mas o que é que uma mulher com uma idade tão avançada pode fazer para impedir que as vidas das pessoas que mais ama se vejam alteradas? Escrever uma carta, aquela que tem guardada no seu coração há sessenta anos...

     E com este pequeno gesto começará uma corrente de cartas que vai mudar a vida não só de Sara mas de toda a aldeia. Porque a expectativa com que abrimos a caixa de correio é sempre grande e, como sabemos, tal como os beijos, uma carta leva a outra. E podem mudar o mundo.

     Um livro comovente, encantador e cheio de ternura, onde, através da corrente de cartas, vão desfilando personagens do quotidiano, todas elas com os seus sonhos, a sua história e as suas frustrações.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera


Opinião

            Agradeço à Suma de Letras pelo gentil envio do livro.

      Antes de mais, quero elogiar a capa de "Cartas Por Um Sonho" por ter representados os elementos chave do livro de uma forma simples e apelativa: adorei a forma como está simbolizada a corrente de cartas!

       Numa pequena aldeia espanhola, Porvenir - onde as pessoas cada vez mais se rendem à comunicação digital - Sara, a carteira, recebe um e-mail dos seus superiores na capital que vem ameaçar a sua estabilidade: a central considera desnecessária a sua presença em Porvenir, pois não julgam necessária uma carteira numa aldeia onde escrever cartas já se tornou uma prática descontinuada.

       Nascida e criada em Porvenir e habituada a uma vida pacata, Sara fica bastante abalada com a possibilidade de ter de se mudar com os três filhos para uma grande cidade. Conta as suas preocupações à sua vizinha e amiga, Rosa, uma idosa com mais de 80 anos, mas com uma alma jovem. E é Rosa que, conjugando a possibilidade de resolver uma quezília do seu passado que a atormenta e a oportunidade de ajudar uma mulher que é quase como uma filha, inicia uma corrente de cartas anónimas. Não importa quem, como ou sobre o que se escreve. Importa sim manter viva uma cadeia de palavras solidária, partilhar um pouco de si com outra pessoa.

         E é no embalo da corrente de cartas que conhecemos um leque de personagens singulares com histórias muito diferentes, repletas de desejos e sonhos por concretizar, amarguradas por escolhas impostas pela vida, saudosas de entes queridos separados pela distância, e, acima de tudo, sonhadoras na eterna procura pela felicidade.

       Confesso que me rendi à ideia da corrente de cartas: as cartas revelam a essência das pessoas que as escrevem e Doñate serve-se dessa base para nos apresentar as personagens que habitam Porvenir. Mas "Cartas Por Um Sonho" não é apenas uma história sobre uma corrente de cartas! É também, por exemplo, as histórias de amor entre dois jovens românticos e sonhadores e entre dois adultos que retomam o contacto ao fim de muitos anos; é a história de uma escritora que está de relações cortadas com as palavras; é a história de um jovem que deseja conhecer o mundo; e é a reunião de muitas outras vivências que se cruzam numa pequena aldeia espanhola perdida no mapa, onde são muitos os que partem em busca de algo maior e, os que ficam, resignam-se facilmente ao conforto e aconchego oferecidos pelas memórias de outros tempos mais felizes.

   Gostei do facto de conhecermos as personagens não só através das cartas que elas próprias escrevem, mas também segundo o ponto de vista dos outros habitantes da aldeia, por meio das relações de convivência. Umas mais profundas ou complexas do que outras, mas todas especiais à sua maneira, as personagens deste livro têm a capacidade de enternecer o leitor.

       A leitura é sempre muito fluída e agradável, existindo diversas referências a obras e escritores de renome. Além disso, são também vários os momentos de reflexão suscitados pelas situações em que as personagens se encontram e sobre os dilemas com que estas se deparam. Claro que existem vários acontecimentos previsíveis, mas a forma como são contados faz com que se enquadrem na trama da encantadora Porvenir.

     "Cartas Por Um Sonho" é um livro ternurento que facilmente provoca sorrisos espontâneos, e que acende a vontade de retomar a comunicação através das cartas, fazendo o leitor recordar-se da felicidade que advém de as enviar e receber. Uma boa leitura!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: The Long Road_Passenger

domingo, 4 de setembro de 2016

Opinião sobre "O Diário Secreto de Laura Palmer" - Jennifer Lynch

O Diário Secreto de Laura Palmer
(Artigo de Opinião)


Autora: Jennifer Lynch
Título Original: The Secret Diary of Laura Palmer (1990)
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 978-989-665-112-1
Nº de páginas: 264
Editora: Suma de Letras


Sinopse


     Laura Palmer - a rapariga de rosto doce de Twin Peaks - escondeu as suas acções mais sombrias e os sonhos mais retorcido num diário secreto, a partir dos doze anos... até ao dia em que foi assassinada.

     O diário contém pistas importantes sobre a identidade do seu assassino. E, para os habitantes de Twin Peaks, tem início um mistério que irá obcecá-los a todos.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Suma de Letras pelo gentil envio do livro.


    "O Diário Secreto de Laura Palmer" - que chega pela mão de Jennifer Lynch, filha de David Lynch, um dos co-criadores da série - surge como complemento de Twin Peaks: um estrondoso êxito nos anos 90 por apresentar uma trama complexa e personagens insólitas e excêntricas, diferente do realizado até então. Não tendo eu acompanhado a série, temi sentir-me um pouco perdida na teia de acontecimentos e personagens da pequena localidade de Twin Peaks, mas acabei por conseguir situar-me e acompanhar a jovem Laura durante o complicado período decorrido entre a sua puberdade e adolescência.

      Conhecemos Laura Palmer, a dona do diário, no dia do seu décimo segundo aniversário, data em que este lhe é oferecido. Desde o início que nos é dado a entender que esta jovem não é tão pura e inocente como todos julgam mas, com o passar do tempo, é cada vez mais evidente a espiral de decadência em que se tem vindo a afundar sem que ninguém dê por isso.

      Laura é uma jovem extremamente perturbada, atormentada pelo peso de um fantasma que não sabe se é real, presa pelo medo a uma existência excêntrica e heteróclita, tentando a todo o custo apartar-se da negra identidade que sabe existir dentro de si. Para isso, refugia-se num processo de autodestruição, caindo nas garras do álcool, das drogas e do sexo, explorando ao máximo os seus desejos mais escuros e recônditos numa tentativa de se sentir no controlo da sua vida.

        De facto, é difícil distinguir o que é real e ficcionado nos relatos de Laura, mas também é constante menção a abusos sexuais por parte de uma figura que inspira puro terror à jovem: alguém a que se refere como BOB. Apesar de não sabermos a veracidade desta figura, o trauma que provoca em Laura é tão grande que ela adota um sentimento de culpa e de repulsa que a fazem testar os limites morais.

      O formato de diário permite que o leitor tenha acesso a um relato mais sincero e intimista, tendo livre acesso aos pensamentos mais profundos da protagonista. Porém, também tem os seus inconvenientes: os lapsos temporais criam alguma dificuldade em acompanhar os acontecimentos, o que acaba  por resultar nalguma perda de interesse pela falta de dados. Além disso, várias personagens passam pela vida de Laura sem que sejam devidamente introduzidas e apresentadas e, embora por vezes sejam apenas mencionadas sem chegarem verdadeiramente a intervir, acabaram por me criar alguma confusão. No entanto, o ritmo vertiginoso do amadurecimento - e simultânea destruição da protagonista - conseguiu prender-me a atenção, pois não consegui evitar compadecer-me com o enorme sofrimento desta.

      Jennifer Lynch utiliza uma linguagem muito direta e crua nos relatos de Laura, numa abordagem algo fria, mas extremamente intimista dos acontecimentos. Mostra-nos uma Laura Palmer que se sente abandonada, desesperada e desorientada, sem saber que rumo dar à sua vida.  Desde cedo que percebemos que a jovem Laura se encontra numa fase conturbada da sua vida, com tendência a isolar-se das pessoas que conhece e a desejar tudo o que a faça sentir viva e com poder. Todavia, não tem ninguém que note a precária situação de desequilíbrio em que se encontra, na procura de uma aceitação que não chega. Por diversas vezes durante a leitura me perguntei como é que os pais não notaram nada de estranho no comportamento depressivo da filha. Tendo-se Laura afastado das pessoas que gostavam dela e que se preocupavam com o seu bem-estar, acabou por não ter ninguém em quem confiar e com quem poder partilhar as suas dúvidas e medos, tornando-se o próprio diário o seu melhor e único amigo.

      "O Diário Secreto de Laura Palmer" é um livro com uma história perturbadora e cruel de uma menina perdida e atormentada. Com temas fortes e chocantes como os abusos e a pedofilia, o álcool, as drogas, o sexo e a prostituição, esta trama intensa é não só um convite à reflexão, mas também uma excelente oportunidade para experimentar - ou recordar - esta série tão aclamada e sui generis. Uma boa leitura!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Falling - Twin Peaks Theme_Vocal by Julee Cruise

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Novidade da Suma de Letras - "Cartas Por Um Sonho"

Novidade da Suma de Letras Portugal 

Cartas Por Um Sonho




De Ángeles Doñate



Sinopse:


    O Inverno chega a Porvenir e traz com ele uma má notícia: vão fechar a estação de correios e transferir os funcionários para a cidade. Quem necessita de um carteiro num mundo onde já não se escrevem cartas? A comunicação virtual também ganhou a batalha nas montanhas.

     Sara, a única carteira da aldeia, mora em Porvenir com os seus três filhos pequenos. Partilha muitas horas com a sua vizinha Rosa, uma mulher de oitenta anos que estaria disposta a fazer qualquer coisa para evitar que Sara e os filhos sofram.

    Mas o que é que uma mulher com uma idade tão avançada pode fazer para impedir que as vidas das pessoas que mais ama se vejam alteradas? Escrever uma carta, aquela que tem guardada no seu coração há sessenta anos...

     E com este pequeno gesto começará uma corrente de cartas que vai mudar a vida não só de Sara mas de toda a aldeia. Porque a expectativa com que abrimos a caixa de correio é sempre grande e, como sabemos, tal como os beijos, uma carta leva a outra. E podem mudar o mundo.

     Um livro comovente, encantador e cheio de ternura, onde, através da corrente de cartas, vão desfilando personagens do quotidiano, todas elas com os seus sonhos, a sua história e as suas frustrações.

Um romance sobre o poder da amizade.
Uma homenagem às cartas e ao seu poder transformador.

     Ángeles Doñate. Nascida em Barcelona, estudou Jornalismo. A sua paixão pela palavra escrita falada converteu-se em vocação e ofício. Trabalha como responsável de comunicação institucional em entidades sociais e educativas, para além de colaborar em jornais e revistas.

       É autora de ensaios, de um livro de viagens e de alguns romances.