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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Opinião sobre "Os Maias" - Eça de Queiroz

 Os Maias
(Artigo de Opinião)


Autor: Eça de Queiroz
ISBN: 978-989-702-159-6
Nº de páginas: 600
Editora: Guerra e Paz Editores


Sinopse

    «É um Portugal realmente presente que ele interroga e que o interpela. É a sua província, a sua capital, os seus pasmosos habitantes, os costumes, os sonhos medíocres hipertrofiados, a inenarrável pretensão de tudo quanto é ou parece ser "gente" num país sem termos de comparação que possam equilibrar essa doce paranóia de grandezas engendradas a meias pelo tédio e pela falta de imaginação, que Eça pinta, caricaturalmente sem dúvida, mas para melhor reduzir a massa confusa do detalhe proliferante à sua verdade palpável. E fá-lo, não para cumprir, como se sugeriu, um programa de experimentador literário, nem de sociólogo artista, mas para descobrir, com mais paixão do que a sua ironia de superfície o deixa supor, a face autêntica de uma pátria que talvez ninguém tenha tão amado e detestado.»


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Guerra e Paz Editores em troca de uma opinião sincera

Opinião

      Começo por agradecer à Guerra e Paz Editores pelo gentil envio do livro.

     “A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete." - assim começa uma das mais belas e célebres obras portuguesas, "Os Maias". Estas palavras, que ficam no ouvido e ecoam na cabeça ao longo dos anos, servem de abertura a um livro genial, caracterizador de uma sociedade de finais do século XIX. Eça serve-se de uma família portuguesa, "Os Maias", em torno da qual gira a ação, para caricaturar os costumes, os vícios e a vilania da sociedade do seu tempo (em muito ainda semelhante à sociedade atual).

     Apesar de ser de leitura obrigatória, este é um livro que se lê por gosto. Mesmo que criticado por muitos devido às extensas descrições que apresenta, sou da opinião que, mesmo que atrasem e cansem um pouco a leitura, são fundamentais para a compreensão geral da obra e para o  seu embelezamento natural. 

     Repartida por três gerações, a família Maia é-nos apresentada, primeiramente, através de Afonso e da sua relação conflituosa com seu pai, Caetano da Maia. De seguida, os amores de Pedro e a grande tragédia que foi o seu suicídio depois da fuga da sua mulher. E, por fim, a época presente é a de Carlos da Maia, filho de Pedro e neto de Afonso, um jovem promissor formado em Medicina em Coimbra e com muitos planos para o futuro. 

    Carlos é um rapaz bem parecido, com muitos sonhos mas pouca vontade de trabalhar. Praticante da vida boémia e amante dos prazeres da vida, passa grande parte do seu tempo em festas, eventos e soirées literárias. 

     A parte inicial de "Os Maias" tem um ritmo um pouco lento. É com a chegada de Maria Eduarda que o leitor ganha um novo ímpeto para a leitura. O romance sórdido entre Carlos Eduardo e Maria Eduarda leva o leitor a ficar agarrado às páginas e à escrita inteligente de Eça. Eça tem a capacidade de nos permitir visualizar os cenários que tão bem descreve, transportando-nos para a cena em questão e envolvendo-nos nesse ambiente.

     Existe toda uma outra variedade de personagens secundários que entretêm facilmente - o divertido "e podre de chique" Dâmaso Salcede; os Gouvarinho; o poeta Alencar; "a besta do Cohen" - carinhosamente assim apelidado pelo respeitável João da Ega, o melhor amigo de Carlos - e muitos outros personagens que nos acompanham ao longo destas 600 páginas.

    Com uma capa apelativa e convidativa, esta edição de "Os Maias" não segue o novo acordo ortográfico, agradando aos mais conservadores. No final do livro é possível encontrar um posfácio muito interessante de António Eça de Queirós, bisneto do escritor, e ainda alguns elementos extra - como uma árvore genealógica e um breve roteiro dos personagens e dos locais mais importantes da obra - que serão, sem dúvida, muito úteis aos estudantes. 

     Termino a minha crítica com a frase que se encontra na contracapa desta edição de "Os Maias" e que descreve perfeitamente esta magnífica obra - "A face autêntica de uma pátria que talvez ninguém tenha tão amado e detestado". "Os Maias" é um livro que deve ser lido e relido, apreciado pela sua magniloquência e objeto de reflexão. Recomendo!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: O Pastor_Madredeus

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Novidade da Guerra e Paz - "Os Maias"

Novidade da Guerra e Paz

Os Maias


De Eça de Queiroz
A face autêntica de uma pátria que talvez ninguém tenha tão amado e detestado


Sinopse:


     «É um Portugal realmente presente que ele interroga e que o interpela. É a sua província, a sua capital, os seus pasmosos habitantes, os costumes, os sonhos medíocres hipertrofiados, a inenarrável pretensão de tudo quanto é ou parece ser "gente" num país sem termos de comparação que possam equilibrar essa doce paranóia de grandezas engendradas a meias pelo tédio e pela falta de imaginação, que Eça pinta, caricaturalmente sem dúvida, mas para melhor reduzir a massa confusa do detalhe proliferante à sua verdade palpável. E fá-lo, não para cumprir, como se sugeriu, um programa de experimentador literário, nem de sociólogo artista, mas para descobrir, com mais paixão do que a sua ironia de superfície o deixa supor, a face autêntica de uma pátria que talvez ninguém tenha tão amado e detestado.»


"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete,  ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiásticas que competia a uma edificação do reinado da Sra. D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um colégio de Jesuítas. O nome do Ramalhete provinha decerto de um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do escudo de armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números de uma data."



     Eça de Queiroz nasceu a 25 de Novembro de 1845 na Póvoa do Varzim. por não ser reconhecido pela mãe, viveu até aos 4 anos em Vila do Conde, com a madrinha. Em 1849, os pais casaram-se e Eça mudou-se para casa dos avós paternos, em Aveiro. Só aos 10 anos regressou ao Porto e se juntou aos pais. Concluídos os estudos liceais no Colégio da Lapa, ruma a Coimbra em 1861 para cursar Direito. É aí que conhece Antero de Quental e Teófilo Braga. Já formado, vai de malas e bagagens para Lisboa em 1866, e é na capital que se dedica à advocacia, mas também ao jornalismo, dirigindo o Distrito de Évora e publicando folhetins na Gazeta de Portugal, que seriam reunidos anos mais tarde em Prosas Bárbaras. Depois de viajar pela Palestina, Síria e Egipto e assistir à inauguração do Canal do Suez, em 1869 - viagem que desaguaria, mais tarde, em títulos como O Egipto A Relíquia - envolve-se nas Conferências do Casino e começa a espalhar As Farpas, em 1871, um ano depois de ter publicado O Mistério da Estrada de Sintra, no Diário de Notícias, ambos a quatro mãos, com Ramalho Ortigão.
     Ingressa depois na carreira diplomática, e é em Leiria, como administrador do concelho, que escreve O Crime do Padre Amaro. Entre 1873 e 1875, exerce o cargo de cônsul em Havana, Cuba, e é depois transferido para Inglaterra. Durante os dois anos que se seguem, envia textos de Bristol e Newcastle para a imprensa nacional e brasileira, inicia a escrita de O Primo Basílio e faz os primeiros esboços para Os Maias, O Mandarim. Regressa à pátria com 40 anos e casa-se, em 1886, com Emília de Castro Pamplona, onze anos mais jovem. Em 1888, é enviado para o consulado de Paris. Segue-se a publicação d'Os Maias e, nos periódicos, da Correspondência de Fradique Mendes A Ilustre Casa de Ramires. Fundador da Revista de Portugal, de que é também director, visita frequentemente o país, aproveitando as estradas para jantar com os Vencidos da Vida. É no Paris de Jacinto, de A Cidade e as Serras - título que, como muitos da sua obra, só viria a ser publicado postumamente -, que vem a falecer a 16 de Agosto de 1900, vítima de doença prolongada.

     A edição apresenta uma nova fixação do texto, da responsabilidade de Helder Guégués, actualizando o texto do romance segundo os mais rigorosos critérios ortográficos e tipográficos. Esta nova aposta da Guerra e Paz está ainda enriquecida com posfácio do bisneto de Eça, António Eça de Queiroz.
     Com capa de Ilídio Vasco, a obra faz parte do Plano Nacional de Leitura e inclui alguns preciosos auxiliares para o leitor: uma árvore genealógica da "família Maia", uma caracterização das principais personagens, a lista das personagens secundárias, e um descritivo dos principais locais em que se desenrola a acção.