sexta-feira, 1 de abril de 2016

Opinião sobre "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café" - Agnès Martin-Lugand

As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café
(Artigo de Opinião)


Autora: Agnès Martin-Lugand
Título Original: Les Gens heureux lisent et boivent du café (2013)
Tradução: Rui Santana Brito
ISBN: 978-989-702-107-7
Nº de páginas: 208
Editora: Guerra e Paz Editores


Sinopse


     Depois da morte do marido e da filha num brutal acidente de automóvel, Diane fecha-se em casa durante um ano, imersa em recordações, incapaz de reagir. Mas, quando já nada parece poder mudar, é precisamente uma dessas recordações que a faz escolher Mulranny, uma pequeníssima aldeia na Irlanda, como destino.

     Instalada numa casa em frente ao mar, Diane é gentilmente recebida por todos os habitantes - todos menos um. Será Edward, o bruto e antipático vizinho, a resgatar Diane da apatia em que parece estar novamente a mergulhar. Primeiro, pela ira e pelo ódio. Mas depois, contra todas as expectativas, pela atracção. Como enfrentar este turbilhão de sentimentos? O que fazer com eles?



Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Guerra e Paz Editores em troca de uma opinião sincera

Opinião

      Antes de mais, agradeço à Guerra e Paz por tão gentilmente me ter cedido um exemplar de "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café".

   O título deste livro é bastante atrativo, tendo em conta que facilmente os leitores se identificam com ele. No entanto, é necessário ter em atenção que este título se deve ao nome do café literário de Diane, a personagem principal, sendo que a história acaba por não estar diretamente relacionada com café e livros, mas sim com a perda, o luto e a capacidade de nos reconstruirmos a partir do zero. Em contraste, a capa adequa-se perfeitamente à narrativa, pois a protagonista é uma fumadora (quase) compulsiva e os tons mais escuros enquadram-se na severidade do tema.

    Diane é uma mulher depressiva. A morte de Colin e Clara - o marido e a filha - levou-lhe a vontade de viver, deixando-a num estado letárgico que a faz depender de elementos que lhe permitam a conexão com os entes queridos desaparecidos. Isolada em casa, em Paris, apenas tolera a presença de Félix, o seu melhor amigo que, um ano depois daquele fatídico acidente, compele Diane a escolher uma pequena aldeia na Irlanda, Mulranny, para se exilar, curar e reencontrar.

     E é em Mulranny que conhece Edward, um homem solitário que vive no cottage ao lado do seu e que, inicialmente, se comporta de forma verdadeiramente antipática e violenta. O clima entre Edward e Diane é sempre um pouco tenso e conturbado - ele é um homem fechado, rude e misterioso; por sua vez, ela encontra-se frágil, insegura e carente. Mas, como depois do ódio vem o amor, Edward acaba por se revelar uma peça imprescindível para a sua recuperação - suscita nela um confronto interior entre a lealdade para com a sua vida passada, e a possibilidade de voltar a encontrar a felicidade. Esta antítese fá-la compreender que não é errado procurar construir uma nova vida e tentar alcançar a plenitude tão desejada.

     Félix e Judith são personagens fundamentais na recuperação de Diane e acabam por dar uma certa leveza à história, pois são extremamente divertidos e sociáveis. Gostei especialmente de Félix: admirei o cuidado, a dedicação, a preocupação e o sentimento de proteção que sempre demonstrou em relação à melhor amiga. É um daqueles amigos que desejamos ardentemente encontrar e manter na vida real.

   Achei interessante a forma como a autora abordou a morte de Colin e Clara - através de um flashback de Diane - logo no início da história. Acabei por ficar um pouco em choque com as emoções fortes provocadas por este acontecimento e pela maneira como é descrito.

    Apesar do tema ser algo pesado, este é um livro que se lê rapidamente. A escrita de Agnès é bastante fluída e tem a capacidade de nos envolver. Senti sempre uma grande empatia pela protagonista - o facto de o livro ser narrado na primeira pessoa também deverá contribuir para tal, mas, a verdade, é que não consegui deixar de me colocar constantemente no papel desta mulher que, de um momento para o outro, perde as duas pessoas que mais ama.

    Este livro tem um final atípico que pode desagradar aos adeptos do "e viveram felizes para sempre..." - mas, sinceramente, eu gostei. Sei que "As Pessoas Felizes  Lêem e Bebem Café" tem uma sequela já publicada em Portugal, "A Vida é Fácil, Não Te Preocupes", mas penso que o final que a autora deu a Diane neste primeiro volume vai em tudo ao encontro da mensagem que pretende transmitir. Apenas considero que poderia ter sido mais desenvolvido - fiquei com a sensação de que foi um pouco abrupto.

   Em "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café" percorremos, de mão dada com a protagonista, um caminho de superação, e vê-mo-nos forçados a constatar que, por mais que a vida nos tire aquilo que amamos, dar-nos-á sempre uma segunda oportunidade para aprendermos a ser felizes. Finda a leitura, fica a vontade de ler mais e a reflexão inexorável a que este livro nos conduz: de que precisamos nós para sermos felizes?

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: I'll Be Good_Jaymes Young
(https://www.youtube.com/watch?v=scd-uNNxgrU)

2 comentários:

  1. Gostei muito da tua apreciação. Li este livro há cerca de um ano e adorei, é uma história incrível!

    Beijinhos, Dalila | The Lost Louboutin Blog |

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    1. Olá Dalila! Obrigada! Este é, de facto, um livro com a capacidade de nos tocar. Já ouviste falar da sequela: "A Vida É Fácil, Não Te Preocupes?". Devo publicar a opinião sobre este livro ainda esta semana. Gostei muito! :)

      Um beijinho,
      Ana

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