segunda-feira, 15 de maio de 2017

Opinião sobre "Confissões" - Kanae Minato

Confissões
(Artigo de Opinião)


Autora: Kanae Minato
Título Original: Kokuhaku (2008)
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 978-989-665-106-0
Nº de páginas: 216
Editora: Suma de Letras Portugal


Sinopse


Os alunos assassinaram-lhe a filha.
Esta é a sua vingança.

     Depois de um noivado que acaba em tragédia, tudo o que resta a Yuko Moriguchi é a sua filha, de quatro anos, Manami. Quando esta é encontrada afogada nas piscina da escola, Yuko decide aposentar-se. Mas, antes, deve dar uma última lição.

     Um mês depois do sucedido, a professora Moriguchi, no discurso de despedida à sua turma, acusa dois alunos de lhe terem matado a filha e anuncia a sua vingança pessoal, atroz e imediata, mas concebida de modo a que as devastadoras consequências ocorram lentamente, para que os jovens tenham tempo de se arrepender e passar o resto dos seus dias suportando o peso da culpa.

     Confissões é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído, onde o suspense é mantido até ao fim, quando as diferentes peças se encaixam. Mas é também uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Suma de Letras em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Suma de Letras pelo gentil envio do livro.

     "Confissões" foi a minha estreia com uma autora japonesa, e devo confessar que fiquei agradavelmente surpreendida com a sua capacidade de agarrar o leitor, transformando uma história aparentemente banal numa lancinante narrativa sobre vingança, dor, inocência, motivações, justiça, frivolidade e, acima de tudo, sobre desumanidade.

    Tudo começa com o último dia de aulas antes das férias. Os alunos da professora Yuko Moriguchi estão ansiosos para saírem dali e começarem a gozar oficialmente o descanso merecido, mas a professora ainda tem mais uma história a contar: a história de como a sua filha Manami, uma menina de apenas 4 anos, morreu. Ou, melhor, foi morta, por dois dos alunos presentes naquela sala, o A e o B. 

   Mas os acontecimentos macabros não terminam por aí. Na verdade, acabaram apenas de começar. Revoltada com a maldade dos alunos, Yuko preparou uma vingança fria e calculada para provocar o maior dano psicológico possível, e que vai, aos poucos, destruindo os seus alvos.

    Poder-se-ia pensar, agora, que o leitor já tem em sua posse todas as informações necessárias para julgar e condenar a atitude desta professora e destes alunos. Dois alunos assustados e uma professora cega pela dor. Mas a verdade... a verdade vai muito além disso e, à medida que se acompanha a destruição de A e B através do relato de várias personagens, vamos tendo uma visão mais clara das personalidades e das razões que deram origem e motivaram as atitudes de cada um. 

   Esta é uma história que tem lugar no Japão, onde existe uma cultura diferente em relação a diversos aspetos, nomeadamente o sistema de ensino, onde é exigido ao professor que desempenhe um papel de quase tutor, libertando os progenitores da maior parte do seu dever parental. Logo aqui, há um confronto de ideias que, aliado à manipulação exercida pelos alunos sobre os professores e à alienação parental, pode chocar. Porém, apesar de este ser um thriller bastante duro, a  violência retratada neste livro pertence ao campo do psicológico, uma vez que são poucas as cenas que envolvem efetivamente brutalidade física. 

   As personagens deste livro são todas bastante frívolas, motivo pelo qual não consegui sentir particular empatia por nenhuma delas. Claro que me compadeci com a dor e o arrependimento de algumas, bem como me revoltei com as atitudes mesquinhas de outras, mas não houve nenhuma que me tocasse especialmente, talvez por neste livro o importante ser a história que une todas as personagens, e não as pessoas em si.

    A escrita deste livro é fantástica! Apesar de inicialmente parecer um pouco estranho, Kanae entrelaça as visões de várias personagens de forma genial, proporcionando ao leitor a oportunidade de analisar os acontecimentos sob múltiplas perspetivas. Temos capítulos da professora, familiares, colegas e dos próprios alunos em questão, sendo que são apresentados pela ordem perfeita para causar o maior impacto no leitor, e todos têm algo de valioso a contar. A opinião que formamos sobre cada personagem vai-se alterando à medida que nos vamos afundando nesta narrativa tétrica e bizarra. Adorei a forma como a autora teceu a história, brincando com o leitor ao fazê-lo pensar ser já detentor de toda a verdade, para depois lhe mostrar que nem tudo é o que parece e que a natureza humana pode surpreender pelos piores motivos.

    "Confissões" é uma procissão de relatos intensos e crus, que vão esclarecendo e dando forma a uma história macabra e brutal. Esta é uma trama densa e negra, que cativa do princípio ao fim, e que expõe a crueldade humana no seu expoente máximo, mas também apresenta o caminho que lhe dá origem. Este é um daqueles thrillers magistrais que acompanham o leitor por muito tempo! 


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Do You No Wrong_Richie Campbell

#83 - Dá-lhe Letras

Autora: Paula Hawkins
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Qual é o livro?

Citação do Dia - 15 de maio de 2017

"A felicidade é uma ilusão da distância. As estrelas estão no vazio e nós vemo-las no céu.."
Coelho Neto

domingo, 14 de maio de 2017

Balanço e Aquisições do Mês de Abril (2017)


E no mês de Abril...



...chegaram às estantes...

      Objectiva
* A Mãe Eterna, de Betty Milan;

     Saída de Emergência: 
* Letras Escarlates, o primeiro volume da série Os Outros, de Anne Bishop;

    Quinta Essência:
* Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins;
* A Herança Perdida, de Kate Agnew

Planeta: 
* Desejo Concedido, o primeiro volume da série As Guerreiras Maxwell, de Megan Maxwell;
* A Espada do Verão, primeiro volume da série Magnus Chase e os Deuses de Asgard, de Rick Riordan.

*Um grande obrigada às editoras por todos estes livrinhos!*

...foram lidos...

* A Mãe Eterna | Betty Milan * - 128 páginas
* Gravar as Marcas (#1)| Veronica Roth * - 464 páginas
* Sinto a Tua Falta | Kate Eberlen  * - 440 páginas
* Anna e o Beijo Francês (Anna e o Beijo Francês #1) | Stephenie Perkins * - 288 páginas
* A Herança Perdida | Katie  Agnew  * - 456 páginas

Total: 1776 páginas

...escreveram-se as opiniões...

Antes de Vos Deixar | Lauren Oliver *
As Boas Raparigas Não Ganham Ao Amor | Talulah Riley *
Sinto a Tua Falta | Kate Eberlen *

Citação do Dia - 14 de maio de 2017

"A felicidade é um aroma, um ruído de festa; leva-os o vento, e despedaçam-se as cordas."
Carmen Sylva

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Citação do Dia - 12 de maio de 2017

"Silêncio feliz. Sou um homem feliz porque nasci. E porque me sei calar. Calar-se é nascer de novo."
Clarice Lispector

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Citação do Dia - 11 de maio de 2017

"Compreender a felicidade de que o solo sobre o qual tu te manténs não pode ser maior que os dois pés que o cobrem ."
Franz Kafka

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Citação do Dia - 10 de maio de 2017

"Quanto requintadamente humano foi o desejo de felicidade permanente, e quanto estreita se tornou a imaginação humana a tentar alcançá-la."
Toni Morrison

terça-feira, 9 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Opinião sobre "Letras Escarlates" (Os Outros #1) - Anne Bishop

Letras Escarlates
(Os Outros #1)
(Artigo de Opinião)


Autora: Anne Bishop
Título Original: Written in Red (2013)
Tradução: Luís Santod
ISBN: 978-989-637-739-7
Nº de páginas: 512
Editora: Saída de Emergência


Sinopse

      Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

     Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro – um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside – uma zona controlada pelos Outros.

   O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Saída de Emergência em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Saída de Emergência pelo gentil envio do livro.

    Já há algum tempo que queria experimentar a escrita de Anne Bishop, e foi "Letras Escarlates" a minha estreia com esta autora mundialmente conhecida pela sua capacidade de criar novos mundos e seres fantásticos. E só tenho uma coisa a dizer: adorei!

    A história passa-se em Namid, o mundo, que é dividido entre humanos e Outros, presas e predadores. Desde tempos antigos que a tolerância entre estes dois grupos tem vindo a ser cultivada com esforço, numa tentativa de controlar o número de vidas humanas perdidas. Os Outros são seres sobrenaturais que controlam Namid - e, consequentemente, os humanos -, e entre eles encontram-se indivíduos de variadas espécies: desde vampiros até metamorfos de lobos, corvos, corujas e ursos, passando por outros seres mais sombrios, mortíferos e poderosos que habitam o interior dos Pátios (reservas naturais localizadas em cidades humanas, onde os Outros habitam de modo a poder controlar os recursos e as atividades de que estes dispõem).

     Numa nevosa, fria e escura noite de inverno, conhecemos Meg Corbyn, uma humana de vinte e quatro anos, quando esta se encontra em fuga, procurando desesperadamente um lugar seguro onde se possa esconder. Um cartaz do Pátio de Lakeside, dando conta de uma vaga para o posto de Intermediária, fá-la dirigir-se à Ler e Uivar por Mais, a livraria gerida pelo líder do Pátio, Simon Wolfgard, um metamorfo de lobo.

    Meg consegue a vaga e começa a trabalhar na Estação do Intermediário, onde a sua função é, como o nome indica, servir de intermediária entre humanos e Outros, recebendo as entregas que vêm do mundo exterior e distribuindo-as pelos habitantes do Pátio. É o seu afinco, a sua simpatia e a determinação em fazer um trabalho bem feito que, aos poucos, vai conquistando o coração dos Outros - seres habituados a encarar humanos como simples carne -, e que leva Meg a tornar-se parte da comunidade.

    Porém, Meg anda em fuga e é um bem valioso para quem a procura e, apesar de todos no Pátio tentarem zelar ao máximo pela sua segurança, os seus perseguidores têm vantajosos meios disponíveis e pouco espaço de manobra para falharem. Quererão os Outros arriscar os seus para proteger uma humana? Serão capazes de fazê-lo? E a que custo?

     Anne Bishop criou um mundo cativante e complexo, onde cada ser tem o seu lugar e a sua razão de ser. Logo no início, temos um pequeno capítulo intitulado "Uma Breve História do Mundo" que, acompanhada por outros recursos - como, por exemplo, mapas -, contextualiza a história e o mundo que iremos encontrar.

     Algo que me agradou bastante prende-se com a facilidade de entrar no universo criado, apesar de este ser bastante intrincado, Tal dever-se-á, por certo, ao facto de conhecermos este mundo juntamente com Meg, e irmos aprendendo aos poucos as regras e os segredos do Pátio e dos seus habitantes. Penso que a autora terá feito um esforço para que o autor não se sentisse completamente perdido neste novo mundo, e isso é sem dúvida um ponto positivo.

   Outra coisa que apreciei foi a construção das personagens. Quer os humanos quer os Outros encontrados são indivíduos com o grau certo de profundidade e de relevância na história, aparecendo nos momentos certos para agitar a trama. Gostei muito da grande variedade de seres que encontramos e de descobrir o seu papel no Pátio. Nem tudo nos é revelado logo neste primeiro livro e fica a sensação de que há personagens com ainda muito potencial a ser explorado nos próximos volumes, como é o caso de Tess e das Elementais. Adorei Sam, uma personagem que ganha bastante destaque durante a narrativa, e que conquista com a sua fofura. Também me agradaram as relação entre Outros e humanos - principalmente os polícias -, e o esforço tenso de ambas as partes para manter uma convivência cordial que garantisse a paz. Os "monstros" são apresentados de uma forma real e pouco embelezada, transmitindo a sua essência de predadores, mas também o empenho dedicado ao alcance de uma relação de tolerância para com os humanos.

     Encontramos a figura de vilão em Asia Crane, apesar de esta ser apenas um figura menor a mando de alguém poderoso, e no Controlador de Meg, que, mesmo não aparecendo fisicamente na história, está sempre presente, não só através do medo da protagonista, mas também nas figuras que coloca no encalço de Meg, uma vez que considera esta sua propriedade e uma valiosa fonte de rendimento. Relativamente a Asia Crane, apesar de achar que é uma personagem bem construída, por vezes questionei-me quanto à sua ingenuidade e quanto aos motivos que verdadeiramente a faziam arriscar a sua vida. É uma personagem mesquinha e irritante, mas acabei por me rir com algumas das situações em que se metia.

    Meg é o centro em torno do qual toda a ação gira. É uma rapariga doce e esforçada, que pela primeira vez está a ter um contacto real com o mundo e com as sensações, mas que tem um passado que a persegue - literalmente. É a sua inocência e bondade, mas também a sua singularidade ao lidar com algumas situações, que cativa os Outros e que lhe reserva um lugar na comunidade do Pátio de Lakeside. Apesar de ter gostado muito de Meg e das situações caricatas que esta protagoniza, tenho de admitir que me rendi a Simon. O metamorfo, apesar de ser um dos Outros que mais contacto tem com o seres humanos, inicialmente ainda os encara muito como presas. Assim, faz-lhe alguma confusão que Meg desperte nele sensações diferentes, nomeadamente uma necessidade de a proteger. Simon é quem apresenta uma maior evolução ao longo da narrativa, pois vê-mo-lo perder alguma da rudeza e ferocidade que apresentava inicialmente, sendo estas substituídas por

     Confesso que passei grande parte do livro à espera que acontecesse algo entre Meg e Simon, o que acabou por não acontecer. Se primeiramente achei isso um pouco frustrante, acabei por ficar agradada com o facto de a autora não fazer do romance uma prioridade na trama. Meg e Simon vão-se conhecendo e mudando as opiniões que têm um sobre o outro e, apesar de podermos vislumbrar a possibilidade de qualquer coisa entre eles, ela não se desenvolve neste livro. Quem sabe nos próximos aconteça alguma coisa...

     Resta-me dizer que também me rendi à escrita de Anne Bishop. Mesmo não sendo o livro narrado na primeira pessoa, conhecemos bem as personagens e as suas intenções, e temos os planos das personagens certas para que entendamos o que está a acontecer. A escrita é fluída e envolvente, com uns divertidos toques de humor que cativam facilmente. Apenas tenho a dizer que, por vezes, algumas cenas - como, por exemplo, o quotidiano de Meg na estação -, poderiam ser encurtadas, por não serem as mais relevantes na trama. Fora isso, não tenho nada de negativo a apontar.

     "Letras Escarlates" é um dos melhores livros de fantasia urbana que já li, e é um início perfeito para uma série muito promissora. Com um mundo interessante e sem falhas e personagens que cativam pela sua originalidade, Anne Bishop conquistou-me! Aproveito ainda elogiar a capa da edição portuguesa deste livro, que é simplesmente linda e que capta na perfeição vários elementos da essência da história. Mal posso esperar por ler "Bando de Corvos", o segundo volume da série "Os Outros". Recomendo sem reservas!     

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: I Could Use a Love Song_Maren Morris

#82 - Dá-lhe Letras

Autora: Kate Summerscale

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Qual é o livro?

Citação do Dia - 08 de maio de 2017

"A vida, para ele, era um rio comportado. A felicidade era o prenúncio da inundação."
Mia Couto

domingo, 7 de maio de 2017

Balanço e Aquisições do Mês de Março (2017)


E no mês de Março...




...chegaram às estantes...

      Editorial Presença
* Antes de Vos Deixar, de Lauren Oliver;

     Planeta: 
* Empurrado Para o Pecado, o segundo volume da duologia Hard Love Romance, de Monica James;

    ASA:
* As Boas Raparigas Não Ganham Ao Amor, de Talulah Riley.


*Um grande obrigada às editoras por todos estes livrinhos!*

...foram lidos...

* Paixão Mortal (Ninfas #1) | Sari Luhtanen e Miikko Oikkonen * - 384 páginas
* Antes de Vos Deixar | Lauren Oliver * - 376 páginas
* As Boas Raparigas Não Ganham Ao Amor | Talulah Riley  * - 288 páginas
* Jardins da Lua (Saga do Império Malazano #1) | Steven Erikson * - 656 páginas

Total: 1704 páginas

...escreveram-se as opiniões...

A Herdeira (Saga De Courmont #2) | Elizabeth Adler *
Anna e o Homem Andorinha | Gavriel Savit *
Jardins da Lua (Saga do Império Malazano #1) | Steven Erikson *